22 abril 2018

Diário 77 ― 28 ― O salto

E agora, que fazer? Dera um salto grande demais, precipitara-se, como de costume, e esmigalhara a papoila que queria oferecer à namorada. Era um sapo desastrado, bem dizia a avó. Se tivesse calculado melhor o salto, se tivesse ido devagarinho, se, se…
Restava-lhe saltar para o encontro, sabendo à partida que a sua amada se encontraria rodeada de pretendentes. Como podia ele sobreviver ao pé de sapos vistosos e elegantes?
Mas ela esperava-o, gostava dele assim, desastrado!
Margarida Fonseca Santos


21 abril 2018

Diário 77 ― 27 ― Vida de lagarta

Era uma vida simples de lagarta. Acordar, comer, rastejar, conversar… Vivia entretida no meio das folhas, tinha tudo o que precisava.
Certo dia, quis viver num mundo só seu. Construiu um casulo e isolou-se. Mas não estava triste. Numa cabeça de lagarta, não há tristeza. Assim ficou, imaginando-se linda… Que tonta!
De repente, apeteceu-lhe romper tudo e… voar?! Nova tontice, pensou. As lagartas não voam… Ai não?, perguntou a Natureza. Voam, pois.
E voou, não conseguiu resistir!
Margarida Fonseca Santos


20 abril 2018

Diário 77 ― 26 ― Chegaste tarde

Chegaste, morte. Vieste atrasada. Muito atrasada. Prolongaste um sofrimento que devias respeitar. E matar. Finges não perceber. Desculpo-te. Chegaste, e isso é que importa. Mesmo atrasada, chegaste. Agora, partes. Partes corações. Partes memórias. Partes-nos. Segue o teu caminho. Não te atrases para o próximo. Vai. Eu fico aqui. Partida. Deixa-me resolver este fim. Deixa-me reconstruir os corações que partiste com o teu atraso. Vai. Talvez eu seja capaz de continuar. Talvez. Primeiro, os outros. Depois, talvez eu.
Margarida Fonseca Santos


Margarida Fonseca Santos ― escritiva 31


Que cena. Situação: cheia de pressa, já não conseguiria ir de autocarro. Fui até ao carro, irritada. Chegou-se então uma vizinha metediça:
― Vai de carro?
― Sim… ― Já imaginava a desgraça.
― Para cima?
Eu queria ir para cima, mas, para me livrar dela, disse:
― Não, vou para baixo.
― Excelente! ― Abriu a porta e refastelou-se. ― Eu vou para baixo, pode deixar-me no supermercado. Vamos!
Conclusão, fui para baixo, inversão de marcha, filas intermináveis de carros, enfim, atraso impossível de recuperar.
Margarida Fonseca Santos, 57 anos, Lisboa
Escritiva 31 ― erros nos transportes

Chica ― escritiva 31

Uma bela companhia
Saiu de casa, percorreu caminhando quadras e mais quadras. Aquela companhia a perseguia.
Queria chegar ao ponto de ônibus o mais rápido possível. Conseguiria?
Vez por outra, olhava para trás e o via ainda.
A solução? Entrou no primeiro ônibus, que, pela cor, julgou fosse o seu...
Entrou! Surpresa!
SIG, o cão da vizinha em um salto, entrara junto...
Assim, além de pegar o rumo errado, ainda teve que descer e devolvê-lo pra sua casa.
Chica, 69 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Escritiva 31 ― erros nos transportes

Isabel Sousa ― desafio 139


Tu
Tu, que rompeste a epiderme dos dias,
talvez, sonho acordado, do teu sono profundo.
Tu, que despojado de tudo te anuncias
talvez, sem nada ter, tu tragas tudo.
Tu, que possuis todas as brancas luas
talvez, em ti incida a doce claridade.
Tu, semente germinando em terra já arada
talvez, sejas promessa aberta de novas primaveras.
Tu, passageiro do tempo, atravessando o mundo
talvez nele, tu deixes teu rasto indissolúvel,
tu, que renasces da morte sendo vida.
Isabel Sousa, 66 anos, Lisboa
Desafio nº 139 ― todas as frases com 7 palavras ― Talvez… + Tu…

Escritiva nº 31

Eu não tenho carro e ando pouco de transportes públicos: "luxos" de viver numa cidade como Salamanca. O problema é que quando vou ao Porto, a Lisboa ou a Madrid, chego quase sempre atrasada aos encontros porque não controlo nem horários, nem linhas de coisa nenhum e, não rara vez, entro no metro errado.

Enfim, é sobre isto mesmo que vos peço para escreverem: apanharam o autocarro, metro, comboio errado. E agora?

O meu "erro" é este: 
Tratava-se de um jogo: tinham de apanhar o primeiro autocarro que passasse e sair duas paragens depois sem serem apanhados. Ases do despiste, vangloriavam-se disso com fotos nas redes sociais. Um dia, a coisa deu para o torto: havia tanta gente na paragem, que não conseguiram entrar os três. Atrapalhado, o último apanhou o autocarro seguinte, sem reparar no número. Não demorou muito a reparar no erro:
― Filipe, o que é que fazes aqui?
― Atrasei-me mãe, atrasei-me…
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva 31 ― erros nos transportes

19 abril 2018

Diário 77 ― 25 ― Gafanhotos

– Não vais acreditar, mãe!!!
– O que foi? Tens o bolso cheio de… Ah!!!
– Tens medo? São pequeninos… Olha.
Eu olhava, incrédula. Do bolso tinham saído dezenas de minúsculos gafanhotos cor-de-palha.
– São giros, não são?
Sorri, mas não muito entusiasmada. Íamos ficar com os gafanhotos… ali?!
– São meus amigos, queriam vir. Não podia deixá-los lá sozinhos. Se calhar, podem ir para dentro de uma história tua, não é?
E não é que foram mesmo? Ainda hoje… lá estão!
Margarida Fonseca Santos


Teresa Caeiro ― desafio 139

Talvez afinal existam alguns anjos no céu
Tu não queres nem ouvir falar disso
Talvez te incomode imaginares-te olhado de cima:
Tu “varres tudo para baixo do tapete”!
Talvez algum descobrisse e, aí, meu amigo,
Tu estarias muito bem tramado, não era?
Talvez seja melhor enfrentares tudo de caras,
Tu és capaz, vais ver, não custa
Talvez percebas, até, a felicidade que é
Tu poderes contar com os anjos celestiais:
Talvez saibam mais da vida que tu!!
Teresa Caeiro, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 139 ― todas as frases com 7 palavras ― Talvez… + Tu… 

Catarina Domingues ― desafio 135


Entrei na escola, como é hábito. Lá vi o Afonso muito direito a andar como um rei do Egito. Depois a Joana propôs jogar o “chão é lava”. Neste jogo, quem tocar no chão fica bife frito. Entramos para a sala, a professora começou a falar de um mito. No almoço a comida foi salada com bichos. No fim, com um palito, comecei a tirar os restos. No parapeito da janela vi um peixe e, depois, desapareceu.
Catarina Domingues, 4ºA, Escola da Ermida, prof Liliana Mendes
Desafio nº 135 – 7 palavras com ITO

Margarida Freire ― desafio 139

TALVEZ a Vida possa ter sido madrasta. TU podias até não ter sido gerada. TALVEZ tudo pudesse mesmo ter sido diferente. TU entendes, eu sei… sempre assim foi. TALVEZ tivesse conseguido fazer muitas outras coisas. TU vieste quando já te não esperava. TALVEZ aos 45 anos tenha sido imprudente… TU até merecias ter uma mãezinha Jovem! TALVEZ eu não tenha estado à altura. TU sabes, continuo a tentar, Filha Querida… TALVEZ, mesmo assim, tenha valido a pena!
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Desafio nº 139 ― todas as frases com 7 palavras ― Talvez… + Tu…

18 abril 2018

Diário 77 ― 24 ― A queda

Quase caías, dizes, fruto de um desequilíbrio momentâneo. Foi por isso que te agarraste a mim. Duvido da queda, da justificação. Agora, que estamos descompostos, sentados no chão, confessas-te indignado por me veres duvidar de ti. Não te ligo. Calas-te. Permaneces quieto, sem entenderes o que te espera. Grito por ajuda. Olhas-me, admirado, tentas calar-me. Ah, afinal foi intencional, bem me parecia. Caíste de propósito. Balbucias que sim, numa fragilidade apaixonada. E, de repente, caio eu, apaixonadíssima.
Margarida Fonseca Santos

OUVIR

Sara Mendes ― desafio 15


Era uma vez uma menina chamada Sara. Sara vivia numa aldeia muito simpática, com a sua mãe e com o seu avô.
Ela tinha um sonho, que era um dia ver um unicórnio, mas a mãe estava sempre a dizer-lhe:
― Filha, hoje não podes ir à procura de unicórnios.
― Mãe, mas de nuvens nem sinais! - respondia Sara.
Mas graças ao seu avô ela tinha sempre esperança.
Até que um dia encontrou um unicórnio com um chifre dourado.
“ Mas de nuvens nem sinais “: Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, in As orelhas do coiote 
Sara Mendes, 5ºC, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 15 com frase retirada de um livro

Martim Mendes ― desafio 121


Era a mim que todos pediam a orientação da viagem. Toda a minha imaginação estava concentrada na preparação. Procurava o avião de acordo com a vida dos viajantes.
Contudo, tu não ficavas satisfeito com todos os cuidados, indo criticar todas as minhas iniciativas. Esta tua atitude deixava-me chocada e muito desorientada. Tens mesmo de mudar o modo como me tratas.
Talvez não saibas, mas eu sou a líder de uma organização que trata da bondade das pessoas.
Martim Mendes, 14 anos, Lisboa
Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos

4ºA E.B. Ermida ― desafio 36

Hoje temos mais um dia,
Um dia novo para criar,
Ou talvez remediar
A História que a humanidade
Nos tem vindo a contar!
Um mundo cheio de seres
Com necessidade de romper,
Para se revelar
Os quais, a natureza,
Quer abraçar!
Preparam-se os Seres Humanos
Que se julgam superiores,
E ao superiorizarem-se
Invadem cedo a privacidade
De animais, plantas, mares…
E quando todos estes se revoltam
Volta tudo ao seu lugar!
Deitam-se descansados e nós vamos mudar!
4ºA E.B. Ermida, S. Mamede de Infesta Profª Liliana Mendes
A Frase foi retirada de uma história Inédita da Organização HELPO que os alunos do 4ºano da Escola da Ermida estão a ilustrar para posterior lançamento do livro. Os lucros do livro reverterão na melhorias das escolas e condições das crianças moçambicanas.
Desafio nº 36 – uma frase de um conto de autor, usando as palavras por ordem inversa

Vasco Leite ― desafio 15

Outras vezes chovia muito, chovia sem parar em Benlhevai por causa das mudanças climáticas e por isso o tempo era estranho, pensava para mim.
Quando cheguei à escola ia ter ciências, estávamos a dar as alterações climáticas; depois da aula fui para casa assistir à TV. Estava a fazer zapping, quando parei no canal 6: mas que desgraça! “Mau tempo destrói casas costeiras de Benlhevai”. Nisto, a luz foi abaixo e fui abrir a janela para confirmar…
Vasco Leite, 5ºC, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Livro – Pinguim, de António Mota. Frase: “Outras vezes chovia muito, chovia sem parar em Benlhevai.”
Desafio nº 15 com frase retirada de um livro

Rita Rocha ― desafio 1


Dia 24 de junho,
Dia de S. João,
Dia de comer sardinhas,
Assadas no fogo da brasa,
Pimentos e batata cozida,
Broa e azeitonas:
Um menu delicioso!
Lá vou eu com um sorriso
Dar marteladas a todos!
É pena não haver balões
A iluminar o céu escuro.

É meia-noite!
Um mar de gente espera.
Rebenta o primeiro foguete!
Fogo de artifício!
Cores e som!
Calor e muita folia!
É Dia de S. João
É dia de alegria!
Rita Rocha, 6ºA, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

Teresa Caeiro ― desafio 77


Estou a falhar o meu próprio desafio de responder a um desafio diariamente, mas ainda não perdi a esperança de o fazer. É muito divertido e estimulante. Faz-me sentir de novo criança e fico espantada com a quantidade de textos tão bons que todos enviam. É verdadeiramente impressionante. E, mesmo agora, estou a esticar esta conversa para conseguir chegar às setenta e sete palavras e poder dizer que já fiz, “inadvertidamente”, mais um texto. É mesmo viciante!!!
Teresa Caeiro, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 77 – texto sobre o blogue

4ºA Escola da Ermida ― desafio 15


Aterrara num lugar,
Gigante e misterioso, como o mar!
Grande segredo guardava.
Não era um lobo feroz,
Tão grande aterrador…
Mas, lá no alto, no céu,
Sempre ouvi dizer,
Que nos céus, longe, voava,
Muito alegre e sorridente,
Pássaros em liberdade!
Melhor lugar não há!
Mas, de repente,
Foi magia de um instante
E, que ninguém tente,
Por momentos, ter asas,
Num estreito mundo que não é seu!
Calma!
E cá vou eu, num sonho só meu!
4ºA Escola da Ermida – S.Mamede de Infesta, professora Liliana Mendes
Fontes: “Histórias com asas” de Jaques Prevert; “Histórias que apanharam bicho” de Alexandre Honrado; “Mistérios” de Matilde Rosa Araújo; “ As fadas verdes” de Matilde Rosa Araújo; “Ciências para pequeninos” de Regina Gouveia; “ Ciência e poesia, no reino da fantasia” de Regina Gouveia; “Pó de Estrelas” de Jorge Sousa Braga; “ Uma Flor Chamada Maria” de Alves Redol
Desafio nº 15 com frase retirada de um livro (neste caso, vários!)

Pedro Mesquita ― desafio 1


O carro mais rápido do mundo chama-se Devel Sixteen. É um carro fabricado pela marca árabe Devel. O carro tem cinco mil cavalos, acelera dos zero aos cem quilómetros em 1,8 segundos e atinge uma velocidade máxima de quinhentos e sessenta quilómetros horaEste carro é leve como uma penae rápido como o fogo
Infelizmente tanta potência custa dois milhões de euros!
Mas quem o vê passar, fica sempre com um sorriso de satisfação na cara.
Pedro Mesquita, 6ºA, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo