31 março 2013

AFINAL


Afinal, era dia e eu tomei a noite como certa, não porque a luz me cegasse, mas porque os sonhos esmorecem mais devagar no escuro.
Afinal, era o mar e eu pensei que tinha uma terra para lavrar caminhos; assim, sempre me afoguei ao andar.
Afinal, era só um ovo de Páscoa e eu cheirei Natal, como se a traição ao calendário lambesse as feridas do tempo.
Afinal, era mentira mas fingi que a verdade dormia comigo.

Bau Pires, 50 anos, Porto

Rabiga em acção!


Havia migalhas por todo o lado e a formiga Rabiga na sua azáfama laboriosa ia empurrando um pedacito de encontro ao esconderijo, pelo carreirinho adiante. Afinal, era só um ovo de Páscoa! Há que aproveitar estes raios de sol que hoje aquecem o corpo e a alma confortada depois de tanta chuva, para repor as provisões, pensa ela toda animada. De repente um enorme obstáculo e o carreirinho desaparece. E daquele muro saía um cheirinho tão agradável…

Alda, 45 anos, Porto

30 março 2013

Depois de uma hesitação...

Todos os anos era o mesmo. Ele carregava e os outros aproveitavam-se disso. Por momentos ponderou deixar a carga mesmo ali no meio do nada. Afinal, era só um ovo de Páscoa… quem é que acharia falta? Ao fundo viu a casa onde teria de deixar a encomenda. Uma menina de cabelos longos e pernas desajeitadas brincava na rua. O seu coração encheu-se de propósito novamente. Ele era o Coelho da Páscoa e iria cumprir a sua missão!

Alexandra Rafael

Grande madrinha!

Queria tirar a carta e a madrinha disse que lha oferecia.
A mãe gritou: “A prenda da tua madrinha está na mesa!”.
Correu, parou e… afinal, era só um ovo de Páscoa….
Desiludido, pegou no ovo para o dar à irmã. Ao menos, faria alguém feliz.
Bateu à porta do quarto da Maria. Enquanto aguardava, reparou numa
etiqueta branca colada no ovo: “Já podes tirar a carta. Transferi o
dinheiro para a tua conta. Um beijo. Madrinha”.

Margarida Leite, 44 anos, Cucujães

EXEMPLOS - desafio nº 39

Ritinha
Ritinha, menina muito danadinha, adorava comer chocolates.
Seus pais tinham o maior cuidado com isso, pois alergias deixavam seu corpo coberto de bolinhas quando comia demais.
A Páscoa mais uma vez chegava e sabia que ganharia só um ovo.
Ela chegava a sonhar.
Sonhou com ovos de chocolate “matrioskas”, um ovo dentro do outro, várias camadas deles. Só de olhar, ria. Feliz.
Se assim fosse, ninguém a poderia questionar... Viva!
Afinal, era só um ovo de Páscoa…
Chica, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Alentejo
Alentejo. Férias da Páscoa em casa dos avós. Quinze anos vaidosos. O ovo de Páscoa tentador provocando de cima da cómoda antiga. Uma determinação férrea e irrealista, até à véspera, de se permitir, apenas, tentar por um doce: o ovo.
Afinal, era só um ovo de Páscoa… - justificou-se para consigo face àquele acordar… com o cheiro doce e envolvente do chocolate e das fatias paridas da avó: deixa lá o ovo e vai alegrar a tua avó.
Maria José Castro, 53 anos, Azeitão

Foram os crescidos?!
Com o sol a espreitar pela janela, a Rita dizia ao irmão:
– André! Acorda! Não está a chover!
Com uma fatia de bolo na mão, saíram sorridentes.
Pelo caminho, encontraram algo diferente, redondinho e falador. Nunca tinham visto um assim.Afinal era só um ovo da Páscoa!
– Mas ovos não falam! (gritava o André)
– Foram os crescidos que te disseram isso? (dizia o ovo)
– Tão giro! Vamos ser amigos! És especial, tal como és! (dizia a Rita)
Ana Couto, 33 anos, Lisboa

Que sobrinho!
Sempre atrás da chave… Todos os dias era o mesmo. Vasculhava a mala, espalhava tudo no chão e, por fim, agarrava-a vitoriosa. 
Entrou em casa, atirou as coisas para cima do sofá e… o que era aquilo em cima da mesa? Mais uma partida do António Sérgio? Torceu o nariz.
Afinal, era só um ovo de Páscoa… com a mensagem: “Peço-lhe que me desculpe…”
Sorriu satisfeita.
Pegou no ovo, mas antes de o provar, explodiu. Maldito sobrinho.
Quita Miguel, 53 anos, Cascais

Alentejo. Férias da Páscoa em casa dos avós. Quinze anos vaidosos. O ovo de Páscoa tentador provocando de cima da cómoda antiga. Uma determinação férrea e irrealista, até à véspera, de se permitir, apenas, tentar por um doce: o ovo.
Afinal, era só um ovo de Páscoa… - justificou-se para consigo face àquele acordar… com o cheiro doce e envolvente do chocolate e das fatias paridas da avó: deixa lá o ovo e vai alegrar a tua avó.
Maria José Castro, 53 anos, Azeitão

Ritinha, menina muito danadinha, adorava comer chocolates.
Seus pais tinham o maior cuidado com isso, pois alergias deixavam seu corpo coberto de bolinhas quando comia demais.
A Páscoa mais uma vez chegava e sabia que ganharia só um ovo.
Ela chegava a sonhar.
Sonhou com ovos de chocolate “matrioskas”, um ovo dentro do outro, várias camadas deles. Só de olhar, ria. Feliz.
Se assim fosse, ninguém a poderia questionar... Viva!
Afinal, era só um ovo de Páscoa…
Chica, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Com o sol a espreitar pela janela, a Rita dizia ao irmão:
– André! Acorda! Não está a chover!
Com uma fatia de bolo na mão, saíram sorridentes.
Pelo caminho, encontraram algo diferente, redondinho e falador. Nunca tinham visto um assim. Afinal era só um ovo da Páscoa!
– Mas ovos não falam! (gritava o André)
– Foram os crescidos que te disseram isso? (dizia o ovo)
– Tão giro! Vamos ser amigos! És especial, tal como és! (dizia a Rita)
Ana Couto, 33 anos, Lisboa

Grande madrinha!
Queria tirar a carta e a madrinha disse que lha oferecia.
A mãe gritou: “A prenda da tua madrinha está na mesa!”.
Correu, parou e… afinal, era só um ovo de Páscoa….
Desiludido, pegou no ovo para o dar à irmã. Ao menos, faria alguém feliz.
Bateu à porta do quarto da Maria. Enquanto aguardava, reparou numa
etiqueta branca colada no ovo: “Já podes tirar a carta. Transferi o
dinheiro para a tua conta. Um beijo. Madrinha”.
Margarida Leite, 44 anos, Cucujães

Depois de uma hesitação…
Todos os anos era o mesmo. Ele carregava e os outros aproveitavam-se disso. Por momentos ponderou deixar a carga mesmo ali no meio do nada. Afinal, era só um ovo de Páscoa… quem é que acharia falta? Ao fundo viu a casa onde teria de deixar a encomenda. Uma menina de cabelos longos e pernas desajeitadas brincava na rua. O seu coração encheu-se de propósito novamente. Ele era o Coelho da Páscoa e iria cumprir a sua missão!
Alexandra Rafael

Desejos Secretos
Treze anos fresquinhos, Mariana prometeu: “A partir de hoje nada de doces; o Rui há-de ver-me com outros olhos!”
Mas quando viu aquele embrulhinho deixado em cima da mesa pela madrinha, não resistiu… Afinal era só um ovo de Pascoa… Nem leu a mensagem presa ao laço “OVO MÁGICO. Realiza desejos secretos”.
À primeira dentada saiu a esvoaçar cidade fora. Só conseguiu pegar na mão do Rui que a olhava com o sorriso mais apaixonado do mundo.
Carla Flores, 43 Anos – Lisboa/Aveiro

Havia migalhas por todo o lado e a formiga Rabiga na sua azáfama laboriosa ia empurrando um pedacito de encontro ao esconderijo, pelo carreirinho adiante. Afinal, era só um ovo de Páscoa! Há que aproveitar estes raios de sol que hoje aquecem o corpo e a alma confortada depois de tanta chuva, para repor as provisões, pensa ela toda animada. De repente um enorme obstáculo e o carreirinho desaparece. E daquele muro saía um cheirinho tão agradável…
Alda, 45 anos, Porto

Afinal…
Eram 77 galinhas brancas, de crista vermelha, muito cumpridoras do seu dever… Mas era Páscoa, e uma delas sonhou que o seu ovo iria ser especial: maior, com casca de chocolate e pintado!... E não saiu bem assim… Afinal, era só um ovo de Páscoa verdadeiro, branco… cheio, mais do que da promessa de uma nova vida… Cheio de uma força imparável que orientará mais de 77 milhões de células no único sentido possível: para a frente!
Graça Samora, Queluz Massamá

AFINAL
Afinal, era dia e eu tomei a noite como certa, não porque a luz me cegasse, mas porque os sonhos esmorecem mais devagar no escuro.
Afinal, era o mar e eu pensei que tinha uma terra para lavrar caminhos; assim, sempre me afoguei ao andar.
Afinal, era só um ovo da Páscoa e eu cheirei Natal, como se a traição ao calendário lambesse as feridas do tempo.
Afinal, era mentira mas fingi que a verdade dormia comigo.
Bau Pires, 50 anos, Porto

– Está muito quieto.
– Acho que sim. Até acho que nem respira!
– Pois. Daqui de cima não dá para ver muito bem…
– Tens a certeza que estamos na história certa?
– Sim. É sobre um menino muito redondo que está sempre muito admirado. Como é muito curioso perde-se muito facilmente por aí.
Afinal, era só um ovo de Páscoa…
– Espera aí! Quem mandou entrar o narrador?
– Calma lá! Isto nem é o começo ou o fim, é só assim.
Clara, 37 anos, Agualva - Sintra

Balada da neve revisitada
Batia leve, levemente, como se chamasse por mim.
Seria um amigo feliz? Ou o inverno tardio que inundava o jardim?
Seria a mágoa da guerra a pedir-me a morte eterna? Ou o menino que me dava sorrisos em troca de chocolates?
Fui ver.
Afinal era só um ovo de Páscoa, trazido pelo vento até ao meu capacho.
Peguei nele com cuidado e embrulhei-o, não fosse transformar-se subitamente num coração.
Os corações, como se sabe, devem ser aconchegados.
Rita Bertrand, 41 anos, Lisboa

Semana da Páscoa, e eu atrasada nas compras. Hoje não passa. Não fiz lista, a minha cabeça esquece metade das coisas.
Bem, não faz mal, vou tomar café, enquanto isso tomo nota.
Lista... não vale a pena, concluí que AFINAL ERA SÓ UM OVO DE PÁSCOA para a minha afilhada.
Foi o que comprei, mais uns pacotinhos de amêndoas para alimentar diabetes e colesterol.
Só depois me lembrei. Não comprei carne, nem fruta, nem pão.
Simples esquecimento! 
Rosélia Palminha, 65 anos, Pinhal Novo

Mentira Inofensiva
Na inocência dos seus cinco anos, Rodrigo corria pelo quintal, cacarejando, gritando que queria ver as galinhas porem ovos de chocolate. A mãe explicava-lhe que estas só punham ovos, iguais aos que comia no prato. No dia seguinte, depois de uma visita ao galinheiro, correu desmesuradamente dizendo:
- Vês, mãe, vês como elas põem ovos de chocolate!
A mãe sorriu comprometida… Existem mentiras inocentes, que nunca fizeram mal a ninguém, afinal era só um ovo de Páscoa.
Graça Pinto, Almada

Às flores de sementio em Março era dado o tratamento adequado;
amores-perfeitos que fulgiriam em matizes arroxeados, cravos de
cores impantes, dálias de colorida audácia.
Jacinto o jardineiro, em afã perene no seu pequeno grande mundo
vegetal, vislumbrou algo chispando no manto verde das avencas...
achegou-se, espiou...
Afinal era só um ovo de Páscoa que os infantes da casa,
usando acastelar-se nos labirínticos meandros do jardim, haviam
escondido com outros confeitos pascais, tendo-se esquecido daquele doce troféu.
Elisabete Oliveira Janeiro, 68 naos, Lisboa

Eles olhavam a caixa cuidadosamente pousada no centro da mesa. Quem a segurou disse que era pesada mas ninguém se atreveu a abrir o presente sem nome. Mas ela não resistiu. Pegou na caixa e fugiu para a cozinha, abrindo-a longe de todos.
Afinal era só um ovo de Páscoa… Ela riu às gargalhadas do curioso desfecho do mistério daquela manhã. Quem entrou na cozinha, viu a mulher louca mas, rapidamente, o riso contagiou todos os detectives.
Ana Isabel Rebelo, 22 anos, Vila Real

As férias
A Marlene andava entusiasmada com a viagem das férias da Páscoa que os pais tinham prometido desde a Passagem do Ano. Andou a contar os segundos, os minutos, as horas, os dias até que o momento finalmente chegara! Mas quando no Sábado de manhã se levantou da cama, em vez das malas, encontrou apenas um pequeno presente. Abriu-o e viu que afinal,era  um ovo de Páscoa. As férias tinham sido adiadas devido ao mau tempo.
Maria Jorge, 36 anos, Vila Franca Xira

Era tradição no domingo de Páscoa o Miguel e o Pai fazerem uma caça ao tesouro no jardim do Avô, a relva tinha crescido imenso criando esconderijos que o avô estudara com muito cuidado.
O Miguel saltava e corria dando indicações ao pai dos sítios onde procurar até que de repente gritou:
– Um porco-espinho!
Aproximou-se curioso:
– Oh! – exclamou… Afinal, era só um ovo de Páscoa, mas os olhos do Miguel brilharam, era o tesouro que ele queria.
Célia Meira, 30 anos, Viana do Castelo

O passarinho Arco-Íris
O Sol teimava em não querer aparecer. Flora espreitava à janela, esperando que um raiozinho de Sol a viesse cumprimentar.
– Parece que a primavera, este ano, ainda não acordou do seu sono… – lamentou-se a menina.
De repente, foi surpreendida por um brilhozinho que vinha do seu jardim. Correu para lá, e viu que AFINAL ERA SÓ UM OVO DE PÁSCOA! Mas seria?
Cracccc… o ovo estalou naquele instante, saindo dele um passarinho tão colorido como o arco-íris.
3º B da EB1 nº 3 de Viseu – Massorim (professora Filipa Duarte)

Hoje seria o dia. Até que enfim chegara! O rodopio, as fitas, as cores e tudo o mais que a mãe a ensinara a fazer, estava no seu lugar. E, subitamente, o som do sino repicou. Ele estaria aí a chegar. Que seria desta vez? A porta abre-se. O tanto querer algo, que nem sabia o quê, esfuma-se: afinal, era só um ovo de Páscoa… todo o sonho se havia relegado para uma boca suja de chocolate.
Carolina Cordeiro, 34 anos, Ponta Delgada, Açores

Os dois primos imaginaram uma caça ao tesouro. Iniciaram a viagem de bicicleta e pedalaram até à Serra de Sintra, partindo à descoberta.
Percorreram a maravilhosa Vila de Sintra, visitaram a Quinta da Regaleira, Convento dos Capuchos e Castelo dos Mouros.
Espreitaram grutas e cavernas, recordaram histórias antigas mas não estavam satisfeitos.
Faltava encontrar o tesouro escondido…
No Castelo dos Mouros escavaram e encontraram o tesouro.
Afinal, era só um ovo da Páscoa
E eles eram dois!!!
Cristina Lameiras, 47 anos, Casal Cambra

Tic-Tac, Tic-Tac… dizia-me o Relógio de Cuco da avó Guilhermina. Passava horas a ouvi-lo falar, sempre com o mesmo ritmo. Ficava a olhá-lo encantada, expectante. De repente, lá aparecia o cuco! Que alegria!
Mas, naquele domingo, o relógio falou diferente... um tic tac afetado, incerto e apardalado! Afinal, era só um ovo de Páscoa que a avó escondera lá dentro, que o fez falar diferente, como que a avisar-me que guardava uma surpresa! Éramos amigos, claro está!
Sandra Évora, 40 anos, St. Ant. dos Cavaleiros, Loures

Eu saí de casa e vi um ovo no ninho que construí para os pássaros, mas não era um ovo qualquer, era especial.
Entretanto chegou o avô e perguntou:
– O que estás a fazer com esse ovo de Páscoa?
Afinal era só um ovo de Páscoa…
– Eu não sabia que eram tão coloridos!
– Porque não comemos o ovo de Páscoa? – retorquiu o avô.
– Que boa ideia!
– Vamos comer o ovo mistério!
– Hum… este ovo é uma delícia!
João Filipe – EB Veiros, 3º e 4º ano, professora Carmo Silva

Era uma vez uma galinha que nunca punha ovos.
A dona disse-lhe que se não pusesse um ovo no Domingo de Páscoa a matava.
A galinha ficou aterrorizada, mas depressa lhe passou o medo… afinal era só um ovo de Páscoa.
No dia seguinte, tirou um ovo a uma das suas companheiras e pintou-o.
No Domingo de Páscoa bem cedinho acordou a sua dona cantarolando: Cocarócocó…
A dona correu para o galinheiro e viu o ovo colorido. 
João Miguel – EB Veiros, 3º e 4º ano, professora Carmo Silva

Tarde demais
Telefonei-te, naquele fim de tarde escuro. Vieste. Marcaste encontro numa rua sem saída, sem luz. Estranhei, mas só conseguia pensar na encomenda assustadora recebida. Queria a tua ajuda, de amigo, para resolver o problema. Ouviste serenamente. Aceitaste, sem julgar. Eu, vulnerável, com medo, senti as tuas palavras e os teus gestos: pagava, ingenuamente, fragilmente a solução. Abriste o caixote: "Afinal era só um ovo de Páscoa".
Arrependi-me! Tarde demais. Agarrei no ovo e atirei-o ao teu rosto.
Isabel Pinto, 43 anos, Setúbal

A caçada
Pronto já começara! Ao longe, ouviam-se os gritos, a agitação. Tanto reboliço por um só dia! 
Nunca percebera o porquê desta correria.
Hoje, o pessoal viera trabalhar mais cedo, por ele podiam dispensá-los. A mãe não concordava.
– É a tradição! – dizia.
Desde miúdo que não apreciava a ocasião, esta caça ridícula! Sorriu ironicamente! 
Ele também "caçara" noutros tempos. Lembrava-se da desilusão, tanto corre para cima, corre para baixo, para nada! Afinal, era só um ovo de Páscoa.
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Manelinho, assim lhe chamavam no colégio, estava ansioso pela chegada do seu dia de anos. Queria ver qual seria o presente fantástico que iria receber dos tios adorados, que o visitam neste dia. Os dias foram passando... O seu aniversário chegou! Com ele também chegou a prenda dos seus tios, Manelinho abriu a prenda e… Afinal, era só um ovo de Páscoa... Mas, com ovo de Páscoa, apareceu também o presente fabuloso que o Manelinho tanto ansiava!
Ricardina Gonçalves

Já encontrei um belo ovo azul
azul como o céu
azul como o mar,
o coelho tinha-o escondido
no prado durante o luar.

Já encontrei um belo ovo branco
branco como a neve
branco como a prata,
afinal ,era só um ovo de Páscoa
o coelho tinha-o escondido
atrás de uma mata.

Já encontrei um belo ovo amarelo
amarelo como o ouro
amarelo como o sol,
ele estava dentro do ninho
logo pensei, era de um rouxinol.
Teresa Gomes Esteves, 52 anos, Bordéus, França

A galinha Sarapintada
A galinha Sarapintada andava preocupada com os seus ovos... A Páscoa estava a aproximar-se e ela ainda não tinha preparado o seu cesto.
Faltava ainda colorir e fazer os enfeites para que as crianças os pudessem comprar.
A galinha andava atarefada com tanto trabalho que decidiu pedir ajuda ao seu amigo coelhinho Branco.
Chegou o grande dia os amigos iam vender os ovos.
Faltava só um ovo, quando de repente partiu-se…
Afinal, era só um ovo de Páscoa…
Ivone Bernardo,

"EI" Chamam os portugueses OVO, e os vizinhos deles dizem HUEVO.
"EGG" Percebe o mundo inteiro e YUMURTA só entendem os turcos.
Mas o que mais me interesse é qual larápio tem furtado o ovo recheado de pralinés na minha casa.
E não me digam, como o polícia me respondeu, "Afinal, era só um ovo de Páscoa e não um ovo de Fabergé".
Quereria recuperá-lo, mas, coitado de mim!, o lambão ladrão só deixou pedacinhos da casca.
Theo De Bakkere, 60 anos, Antuérpia, Bélgica

Jonas era um coelho muito guloso. A mãe prometera que o levaria às festas se conseguisse controlar o seu apetite. Ele aceitou o desafio mas nunca tencionou cumprir. Fugiu para o campo e deliciou-se com as cenouras do velho fazendeiro. À noite, quando regressava a casa, encontrou uma cesta abandonada. Pensando que de uma riqueza se tratasse carregou o cesto. O cesto era pesado. Ele espreitou para ver o conteúdo. “Afinal, era só um ovo de Páscoa”.
Celeste Hazeleger

A confusão reinava no galinheiro. O Galo andava carrancudo, como se carregasse o peso do Mundo!
A Galinha resolveu investigar. Pressionado, acabou por desabafar: alguma das pitas o andava a enganar, pois ovo galado por ele não tinha pintas, nem cores, como aquele que encontrara... A Galinha desatou a rir. Furioso o Galo exigiu-lhe explicações. «Mas foram os putos da quinta que o esconderam aqui!» O Galo suspirou de alívio. Afinal, era só um ovo da Páscoa!!!!!
Isabel Lopo, 69 anos, Lisboa

Suspeição
Foi um bafafá no galinheiro. Seu Galudo bicou muito dona Galízia. A ninhada estava entre acanhada e curiosa observando a situação.
Os demais cocoricós especulavam, riam maldando Dona Galízia, logo ela, preferida do Seu Galudo.
– Bem feito!
– Galinha sem vergonha!
– Sonsa!
– Assanhada!
Enquanto isso a “coisa” engraçada, colorida permanecia meio aos demais, todos clarinhos.
Até que tudo se esclarecesse, e Juquinha contasse a verdade, como saber que, afinal, era só um Ovo de Páscoa?
Roseane Ferreira, Macapá, Amapá, Brasil

Embrulhou-o com todo o cuidado. Guardou-o no lugar improvável de encontrões, pois não queria que se partisse de modo nenhum. Era grande e tinha-lhe custado as suas pequenas economias. Tinha que cair para cima do ovo! Tinha que estragar a surpresa… Só lhe apetia esganar-lhe o pescoço. Momentaneamente, pensou no espírito da Páscoa. Afinal, era só um ovo de Páscoa… Havia tantas outras formas de adoçar a vida dos outros… Sorriu, abraçou-o e comeram o que restou…
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Os ovos estavam escondidos no jardim.
As crianças procuravam, eufóricas e entusiasmadas.
Cada um encontrou o seu, vibrando de alegria,
à medida que os iam encontrando.
De repente, ouviu-se o choro aflito do Joãozinho.
E a soluçar, que mal se percebia o que dizia:
– O cão encontrou o meu ovo, e comeu-o.
Mas tudo acabou bem quando o Joãozinho
recebeu um enorme coelho de chocolate.
E disse ainda, meio choroso:
AFINAL ERA SÓ UM OVO DE PÁSCOA.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Que sobrinho!


Sempre atrás da chave… Todos os dias era o mesmo. Vasculhava a mala, espalhava tudo no chão e, por fim, agarrava-a vitoriosa. 
Entrou em casa, atirou as coisas para cima do sofá e… o que era aquilo em cima da mesa? Mais uma partida do António Sérgio? Torceu o nariz.
Afinal, era só um ovo de Páscoa… com a mensagem: “Peço-lhe que me desculpe…”
Sorriu satisfeita.
Pegou no ovo, mas antes de o provar, explodiu. Maldito sobrinho.

Quita Miguel, 53 anos, Cascais

Foram os crescidos?!


Com o sol a espreitar pela janela, a Rita dizia ao irmão:
– André! Acorda! Não está a chover!
Com uma fatia de bolo na mão, saíram sorridentes.
Pelo caminho, encontraram algo diferente, redondinho e falador. Nunca tinham visto um assim. Afinal era só um ovo da Páscoa!
– Mas ovos não falam! (gritava o André)
– Foram os crescidos que te disseram isso? (dizia o ovo)
– Tão giro! Vamos ser amigos! És especial, tal como és! (dizia a Rita)

Ana Couto, 33 anos, Lisboa

Alentejo


Alentejo. Férias da Páscoa em casa dos avós. Quinze anos vaidosos. O ovo de Páscoa tentador provocando de cima da cómoda antiga. Uma determinação férrea e irrealista, até à véspera, de se permitir, apenas, tentar por um doce: o ovo.
Afinal, era só um ovo de Páscoa… - justificou-se para consigo face àquele acordar… com o cheiro doce e envolvente do chocolate e das fatias paridas da avó: deixa lá o ovo e vai alegrar a tua avó.  

Maria José Castro, 53 anos, Azeitão

Ritinha


Ritinha, menina muito danadinha, adorava comer chocolates.
Seus pais tinham o maior cuidado com isso, pois alergias deixavam seu corpo coberto de bolinhas quando comia demais.
A Páscoa mais uma vez chegava e sabia que ganharia só um ovo.
Ela chegava a sonhar.
Sonhou com ovos de chocolate “matrioskas”, um ovo dentro do outro, várias camadas deles. Só de olhar, ria. Feliz.
Se assim fosse, ninguém a poderia questionar... Viva!
Afinalera só um ovo de Páscoa…

Chica, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Publicado aqui:

Desafio nº 39


Trabalharam muito no último desafio, não foi? Então, toca a descansar… ou talvez não!

Estando na Páscoa, surgiu-me uma ideia. E se escrevêssemos um texto que tivesse, lá pelo meio, esta frase:

Afinal, era um ovo de Páscoa

Simples? :) Só falta escrever 70 palavras para além desta!

Eu inventei assim:
«Que se lixe», pensou. Afinal, era um ovo de Páscoa
A dieta seria interrompida por breves instantes, não afectaria o resultado final. Até nem era dos maiores. Rodando-o para ler a ficha informativa, percebeu: 100 gramas de chocolate preto, total – 487 calorias. Era quase metade do que consumia por dia! Vacilou, mas logo arranjou solução. Não comeria mais nada naquele dia! Ou então, se sentisse fome, atacaria outro ovo. Depois da primeira dentada, não mais parou.
Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa
Desafio n.º 39 história que contém a frase: “Afinal, era só um ovo de Páscoa”
EXEMPLOS

Em trânsito


O dia não podia ter corrido melhor! TODa a ener gIA que sentira Naqueles dias prendia-se com a Oportunidade que lhe haviam dado. PODia deixar o emprego que odiava, aquela TErra onde sufocara…
PeRCorrera meio mundo e finalmente conseguira!
Mas sentia agora, naquele fim de mundo em que se encontrava “em trânsito”, que o sorRIso ofericiDO juntamente com o café Merecia meLHor resposta que uma mera gORjeta e sem pensar duas vezes, alterou novamente o seu rumo.

Carla Flores, 43 anos Lisboa / Aveiro

29 março 2013

Sala de Urgência


AO CAÍREM, OS MIÚDOS, MAGOAM-NOS A NÓS! 

AO +CA + ÍR + EM +OS + MI + ÚD + OS + MA + GO + AM + NO + SA + NÓ + S!

– Ao caírem, os miúdos magoam-nos a nós! Não lhe parece, cara irmã?
– Bem, aos miúdos e aos borrachos, Deus põe a mão por baixo! Já quanto à dor dos graúdos é que não temos um grande remédio!
– Mais logo, assim que se confirme que não é nada, vamos dar-lhes a boa notícia, lá fora! Sabendo que tudo não passou de um grande susto, logo normalizam!
– Que lhes sirva de lição! Crianças e piscinas, é precisa muita supervisão!!

Luís Marrana, 52 Oliveira do Douro
desafio nº 38,

A luta semanal


Agora, fartava a chuva, frequente, desta semana. Água do meu céu, porque afinal, chorar de tonta, esvaziar aquele espaço, seria inútil. Achava que o mido das minhas paredes me colocava frente a frente qual meu estar, ali fosse, equilvalente a um terrível torneio: figurinhas, duendes e cornetas soavam. Intimavam o meu pensamento para lutar. Edificava, em cima do escadote, a luta semanal. Mas, naquela inquietude, sabia que chegara a hora de mexer o balde e a esfregona.

Carolina Cordeiro, 34 anos, Ponta Delgada, S. Miguel, Açores


desafio nº 38, histórias em 77 palavras, histórias recebidas,

27 março 2013

Comemoração imprevista


Era forte o desejo de abraçar aquela mulher para sempre, nesse momento improvável.
ERa o coração batendo, bAFo marítimo das ondas cORrendo
forTE ODor, corpos ESguios.
Num bar, vEJo água, água e Poseidon
Entre ODres de vinho e bóias
tEAres aBRindo
 linhas grACiosas, ARtes
AQuosas emanações.
 Nas rUElas
LAadeando paralelípedos,
transMUtação e abrigo
moLHes objectivos.
ERa
PArtilhar
brincadeirRAs,
pasSE e
coMPasso de
amoREs,
coNExões
aSSimétricas,
 tEMpo ÓMega ardENdo compleTO,
IMergia comPReensível itinerário
mOVendo-me favorÁVel a ELa.

João Xavier, 53 anos, Carnaxide

25 março 2013

Primavera Atrasada


Pobre passarito abandonado na árvore nua.
Pousado sobre o ramo mais alto, espera o epílogo das suas aventuras. Sabe que a primavera está, ainda, no leito do inverno, abnegada e lânguida. Dona do tempo, nada a arrelia. Nem mesmo chegar atrasada. Virá quando quiser ou o inverno a desabraçar. E o passarito, perdido e sem voz, espreita-a.
Árvore solitária, envergonhada da nudez; pássaro silencioso. Duas solidões, caladas e pacientes, esperam que se abra a porta do tempo.

Ana Paula Oliveira, 52 anos, São João da Madeira