31 janeiro 2016

Mergulhar rezando...

Nada mais havia a fazer, era evidente que tinha chegado a hora e já não podia dizer que não.
Se tivesse evitado armar-se em corajosa, de certeza que não se encontraria naquela situação, mas tinha a mania de querer impressionar toda a gente. Era uma fanfarrona, uma gabarolas, uma pedante, mas a verdade é que acabava sempre por se safar. E agora? Agora, restava apenas rezar para que o vulcão onde insistira “mergulhar” não entrasse em erupção!

Paula Cristina Pessanha Isidoro, 34 anos, Salamanca

Desafio nº 103 – 3 frases impostas por ordem

Voltando atrás

Julieta caminha triste. Nada mais havia a fazer senão pensar na amiga Felismina.
Se tivesse evitado estar em desacordo não se tinham chateado. E podiam ter continuado a conversar, animadamente, naquela tarde ensolarada.
Agora, restava-lhe voltar a casa, sozinha.
Caminhava devagar, por entre as folhas caídas no chão, pensando: como podiam duas amigas inseparáveis estarem aborrecidas por mera teimosia? Era hora de fazerem as pazes! Voltou atrás. Ía pedir-lhe desculpa… não podia viver sem a sua amizade…

Eugénia Baltazar, 45 anos, Sobral de Monte Agraço
Desafio nº 103 – 3 frases impostas por ordem

30 janeiro 2016

Fragilidade

Era aquele, então, o momento definitivo do não retorno? Nada mais havia a fazer. Ser forte, prosseguir. Falavam-lhe em coragem. Que a vida continuaria. Mas porque tudo lhe parecia vazio e absurdo? Se tivesse evitado algumas palavras. Construído mais sorrisos, talvez tudo fosse diferente. Mas era tarde. Agora, restava o futuro e o futuro era um lugar que lhe parecia duro, estranho e difícil de encontrar.
Então, na imensa fragilidade da sua alma, um pequeno pássaro cantou…

Paula Coelho Pais, 54 anos, Lisboa

Desafio nº 103 – 3 frases impostas por ordem

Ficou a saudade

Nada mais havia a fazer. É doloroso constatar este facto, mas o tempo se encarregará de atenuar a dor, este vazio que deixaste em meu peito. Se tivesse evitado compreender que tudo na vida é efémero, que a vida é apenas uma passagem, agora restava uma imensa revolta, mas tal não aconteceu, encarei tudo como uma situação que pode acontecer a qualquer pessoa, hoje embora me custe muito, peço a Deus força para toda a tristeza ultrapassar.

Maria Silvéria dos Mártires, 69 anos, Lisboa

Desafio nº 103 – 3 frases impostas por ordem

Uma mancha daquelas

Nada mais havia a fazer. A coisa estava consumada. Raios! Tão depressa não iria ver um igual ao que perdera. Se tivesse evitado encontrar-se com aquela mal fadada sombra, talvez a coisa ainda passasse. Mas não. Não passou. Claro que não passou! Estamos a falar dele! Aliás, não só não passou como seria coisa certa para sempre. Agora, restava-lhe apenas ver se o troco da lavandaria daria para um único café. Mancha daquelas não sairia barato, claro! 

Carolina Cordeiro, Ponta Delgada

Desafio nº 103 – 3 frases impostas por ordem

Ai, Gertrudes

O Gajo era Garboso, parecia um Galo na capoeira com Galinhas aos Gritos como Gramofones.
No cabelo Gel, chapéu como um Girassol, óculos escuros Grenás Guiando um Renault Gt dirigindo-se para Gondomar Gozando o vento Gelado que entrava pelas Gretas da janela.
Passou um Grupo Guiado pela Gorda Gertrudes que olhou Gulosamente, com Grande suspiro de Gata com coração Galopante. Gertrudes desistiu de Galar o Giraço. Que olhar Gelado o Gabiru lhe devolveu.
Pobre Gertrudes. Ai, ai.

Jorge Vera-Cruz, 60 anos, Portimão

Desafio nº 57 – palavras começadas por G em todo o texto, estando entre cada palavra com G, poderá haver até três palavras livres

EXEMPLOS - desafio nº 103

O serviço de meteorologia bem que avisara!
Ninguém deu crédito à ele.
Assim, NADA MAIS HAVIA A FAZER... Tudo estava por perto destruído. 
Alagamentos, árvores sobre casas, muros...
SE TIVESSE EVITADO de vir para esse hotel fazenda no fim de semana...
Planos foram, junto com a enxurrada, por água abaixo.
Mas, AGORA, RESTAVA juntar os cacos, arrumar as malas e retornar à cidade!
Mas não perdiam as esperanças. Logo o programa seria retomado!
Tinham muito tempo ainda!
Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Nada mais a dizer...
Quando a impulsividade é grande, muitas vezes nos envenenamos com as próprias palavras.
Palavras ferem mais que faca.
Doem mais que a própria dor física,
Maltratam...

Hoje, provar do próprio fel.
E dificuldades para oportunizar o amor.
Pela frieza, dureza, falta de paciência.

Agora, Nada mais havia a fazer. O dito cortara de morte aquele frágil coração.
Talvez se pensasse um pouco mais, se tivesse evitado desabafo, no momento de raiva...
Agora, restava chorar sozinha...  Arrependimento, saudade!
Roseane Ferreira, Macapá, Amapá, Extremo Norte do Brasil

Era aquele, então, o momento definitivo do não retorno? Nada mais havia a fazer. Ser forte, prosseguir. Falavam-lhe em coragem. Que a vida continuaria. Mas porque tudo lhe parecia vazio e absurdo? Se tivesse evitado algumas palavras. Construído mais sorrisos, talvez tudo fosse diferente. Mas era tarde. Agora, restava o futuro e o futuro era um lugar que lhe parecia duro, estranho e difícil de encontrar.
Então, na imensa fragilidade da sua alma, um pequeno pássaro cantou…
Paula Coelho Pais, 54 anos, Lisboa

Ficou a saudade
Nada mais havia a fazer. É doloroso constatar este facto, mas o tempo se encarregará de atenuar a dor, este vazio que deixaste em meu peito. Se tivesse evitado compreender que tudo na vida é efémero, que a vida é apenas uma passagem, agora restava uma imensa revolta, mas tal não aconteceu, encarei tudo como uma situação que pode acontecer a qualquer pessoa, hoje embora me custe muito, peço a Deus força para toda a tristeza ultrapassar.
Maria Silvéria dos Mártires, 69 anos, Lisboa

Nada mais havia a fazer. A coisa estava consumada. Raios! Tão depressa não iria ver um igual ao que perdera. Se tivesse evitado encontrar-se com aquela mal fadada sombra, talvez a coisa ainda passasse. Mas não. Não passou. Claro que não passou! Estamos a falar dele! Aliás, não só não passou como seria coisa certa para sempre. Agora, restava-lhe apenas ver se o troco da lavandaria daria para um único café. Mancha daquelas não sairia barato, claro! 
Carolina Cordeiro, Ponta Delgada

Amigos influentes
Nada mais havia a fazer. Confrontara-se. Revolta profunda até aceitar. O corpo negara, a alma fugira. Sempre! De braços bem abertos, recebeu, serenamente, a amiga infelicidade.
Se tivesse evitado a vaidade das joias, o requinte das viagens, o influente império dos amigos… Desaparecera, na zona de conforto da sua negação, nas armadilhas da sua destruição consentida!
Agora, restava reencontrar uma casa-casa, repensar a casa-cabeça, reconstruir a casa-coração. O tumultuoso 3-em-linha da vida, reclamando o seu verdadeiro eu.
Fernanda Elisabete Silva Gomes, 59 anos, Vila Franca de Xira

Julieta caminha triste. Nada mais havia a fazer senão pensar na amiga Felismina.
Se tivesse evitado estar em desacordo não se tinham chateado. E podiam ter continuado a conversar, animadamente, naquela tarde ensolarada.
Agora, restava-lhe voltar a casa, sozinha.
Caminhava devagar, por entre as folhas caídas no chão, pensando: como podiam duas amigas inseparáveis estarem aborrecidas por mera teimosia? Era hora de fazerem as pazes! Voltou atrás. Ía pedir-lhe desculpa… não podia viver sem a sua amizade…
 45 anos, Sobral de Monte Agraço

Nada mais havia a fazer, era evidente que tinha chegado a hora e já não podia dizer que não.
Se tivesse evitado armar-se em corajosa, de certeza que não se encontraria naquela situação, mas tinha a mania de querer impressionar toda a gente. Era uma fanfarrona, uma gabarolas, uma pedante, mas a verdade é que acabava sempre por se safar. E agora? Agora, restava apenas rezar para que o vulcão onde insistira “mergulhar” não entrasse em erupção!
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 34 anos, Salamanca

Voltar a sonhar...
Nada mais havia a fazer, Joana acabava de saber que estava grávida.
Se tivesse evitado dar as suas escapulidas, sem se precaver, agora não teria que abandonar a faculdade.
O sonho de se tornar uma arquiteta teria que ser adiado...
Seu marido, João, ganhava pouco e não poderia sustentar a mulher e agora mais um bebê.
O marido fazia biscates.
Agora, restava mudar para a casa dos pais de Joana.
Recomeçar vida nova e voltar a sonhar...
Verena Niederberger, 65 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Nada mais havia a fazer, pensou ela. Iria chegar atrasada ao tribunal. Se tivesse evitado a hora de ponta… talvez não estivesse agora metida numa alhada. Piorando a situação, a chuva intensa obrigara a cortes no trânsito. Tantas vezes imaginara a cara dele quando a visse testemunhar. Sim, aquele crápula tinha que ser punido. Agora, restava que o juiz também faltasse ao julgamento. Com sorte, estaria encalhado numa outra rua da cidade e a audiência seria adiada…

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Inexoravelmente
Sorriu sozinha, satisfeita. Nada mais havia a fazer. A sorte estava lançada, como se diz. Ou, ainda, "Inês é morta". 
Mas, pensando melhor..., se tivesse evitado que a impulsividade vencesse, teria contemplado a prudência. Realmente, não se deve agir assim. É preciso contar até dez ou até cem. O rio, a esta altura, continuava a correr, inexoravelmente.
Agora, restava apenas esperar que certas pessoas não notassem na internet as fotos - cinquenta e seis fotografias indiscretas que postara.
Celina Silva Pereira, 65 anos, Brasília, Brasil

Esperar-te naquela noite foi uma eternidade... Agora NADA MAIS HAVIA A FAZER. SE TIVESSES EVITADO magoar-me, teria tentado apanhar os cacos da nossa vida com aquele jantar feito de sonhos e enganos. À sombra das velas e das flores adormecidas, AGORA SÓ RESTAVA tropeçar na solidão, sem saber onde me agarrar.
Em segredo, confesso que te perdoava se tivesses voltado, pois quem sabe se não haverá uma réstia de Amor esquecida num qualquer recanto da nossa casa!
Isabel Lopo,69 anos, Lisboa

Nada mais havia a fazer que me resignar às consequências da colisão frontal.
Má sorte, se tivesse evitado aquele javali, nem o meu carro nem o animal imprudente deveram acabar sem glória numa vala.
Felizmente eu saí são e salvo.
Agora, restava-me apenas agradecer ao meu anjo da guarda.
Ora, coisas piores aconteceram nesse dia. Um comboio que bateu noutro, três mortos, ou o fã que foi atingido por um dardo na cabeça. Quem quereria perecer assim?
Theo De Bakkere, 63 anos, Antuérpia, Bélgica

Lanche 
As uvas do caramanchão desafiavam-no. Esticou-se. Se não tivesse nascido minorca... Olhou em volta. Talvez a caixa de fruta pudesse dar uma mãozinha. Num equilíbrio precário conseguiu agarrar o cacho e sorriu, para logo morder o lábio, quando o caixote desfez-se.
Nada mais havia a fazer, a não ser agradecer pelo facto de o chão não ser de cimento. 
Se tivesse evitado a gula...
Agora, restava-lhe saciar-se noutra direção. O tronco da macieira pareceu-lhe suficientemente resistente. Seria?
Quita Miguel, 56 anos, Cascais

Nada mais havia a fazer do que tentar deixar-te confortável e ver-te partir assim...
Se tivesse evitado ouvir a voz da minha intuição, não me perdoaria, não teria regressado a casa para estar contigo no momento em que te despediste da vida. Mas que vida? Na realidade já cá não estavas há tanto tempo!
Morreste-me nos braços, e morreste como desejaste: no aconchego da tua cama rodeada da tua família. Agora restava-nos chorar por ti, querida Avó.
Mireille Amaral, 40 anos, Gondomar

Afinal existia solução
Nada mais havia a fazer. O avião já estava de portas fechadas; preparava-se para sair da porta de embarque. ”Além do mais, as saídas internacionais são no edifício a seguir; sempre demora vinte minutos até chegar ao local de embarque.” – esclareceu a funcionária.
Voltou para o carro. A amiga exasperada: “Se tivesse evitado a hora de ponta tinhas conseguido embarcar.”
“Não te preocupes, tenho voo amanhã; trocaram-me o bilhete.”
Agora, restava aproveitar a última noite em Zurique.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra

O tapete
Nada mais havia a fazer, apenas aguentar as dores e as “recriminações” das costas.
– Sim, já sei, se tivesse evitado apanhar o tapete do quarto para pôr-me a sacudi-lo, não ficaria assim, com essa terrível lombalgia. Mas… não gritem, é preciso limpar. Ou preferem viver com esse desagradável desejo de ser sempre coçadas por causa dos ácaros?
Agora só restava descansar, visitar o osteopata, escrever uma história, ter muita paciência… e começar novamente a sacudir os tapetes.
Mª Angeles Izquierdo Sánchez, 59 anos, Salamanca, Espanha

Nada mais havia a fazer… o problema envolvia bicicletas, distâncias, velocidades e o Tico e o Teco a dar o berro… mesmo como gosto!
Se tivesse evitado que a minha filha me trouxesse aquela dúvida tão tarde talvez tivesse adormecido a horas decentes, mas desistir não era opção e continuei até conseguir.
Agora, restava-me aguentar o sono, segurar o bocejo e esperar pela noite.
Se hoje surgir um do estilo, na melhor das hipóteses, adormeço-lhe em cima!
Catarina Azevedo Rodrigues, 42 anos, Venda do Pinheiro

Gargalhava até às lágrimas.
Nada mais havia a fazer, eu tentava manter-me firme e séria, não podia sequer ousar descompor-me.
O nosso amigo francês, português de gema, a seguir a cada palavra repetia, et voilà.
“O cão ladrou, et voilà…” Se tivesse evitado alguns, talvez não chegasse a tanto, era hilariante. O meu irmão, sem conseguir parar de rir, respondeu-lhe enquanto se afastava, et voilà! Agora restava uma maneira airosa de seguir o meu irmão, “et voilà”.
Margarida Monge, 53 anos, Vila Verde de Ficalho

Ilusão
Reneguei o amor que sentia,
Nada mais havia a fazer,
Criada com outros princípios,
Assim, não sabia viver!

Se tivesse evitado a paixão
Poderia logo notar...
E, sem sonho ou fantasia,
Não podia, sequer, acreditar!

Tantos anos passados em vão,
E, agora, restava fugir,
Não tinha nada na mão
E não queria um amor a dividir!

Amei, de tal modo que não vi,
Atraiçoado, assim, o meu amor,
Apenas vivi uma ilusão,
Restava-me sair mesmo com dor!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Nada mais havia a fazer, estava tudo acabado. Já não tinhas remédio e nunca irias mudar.
Se tivesse evitado a conversa com os teus pais, de certeza que ia continuar iludida e a acreditar em todas as tuas mentiras.
Agora, restava-me assumir de uma vez por todas o que afinal sempre foste. Desde criança, sempre soubeste fugir a assuntos importantes e, nem com os avisos, aprendeste.
Mas, agora está tudo acabado entre nós. Esquece mesmo que existo.
Sara Catarina Almeida Simões, 28 anos, Coimbra

Encontro desastroso
Limpou as lágrimas com a mão.
Nada mais havia a fazer senão resignar-se. Mas as lágrimas não paravam.
Era o impacto do desgosto que a fazia chorar assim, copiosamente. 
Se tivesse evitado aquele encontro, que se revelou desastroso...
Tudo correu mal! O beijo apanhou-a de surpresa e acabou dando uma cabeçada na parede tentando evitá-lo, o vestido rasgou-se na fuga. Para terminar bem torceu o pé ao correr de saltos altos. AIAI!
Agora restava-lhe chorar, nada mais.
Carla Silva, 42 anos, Barbacena, Elvas

Não é de graça
Sítio novo, estava quase dormindo.
Quando ouviu um som forte, parecia trovão.
Foi assim que se deu conta de que aquilo não era chuva.
O povo entende que o importante é brincar.
Nada mais havia a fazer.
Era a lembrança do carnaval.
Manifestação cultural da música folclórica brasileira.
Ainda mais num momento como esse de crise, se tivesse evitado.
O mal entendido sobre não ter que pagar nada.
Porque não tinha dinheiro.
Agora restava pagar pelas fantasias.
Renata Diniz, 39 anos - Itaúna/Brasil

Os anos passaram, agora já era tarde. Nada mais havia a fazer.
Se tivesse evitado, se não tivesse passado, propositadamente, naquela rua (onde, bem sabia, o encontraria), não se teriam cruzado e não teria aberto a ferida.
Os seus olhos suplicaram amor; da sua boca, apenas saiu um simples olá. De nada adiantaria falar. Ele tinha dado um rumo à sua vida que não a incluía.
Agora, restava a saudade do passado feliz que ela deixou escoar.
Ana Paula Oliveira, 55 anos, S. João da Madeira

Orçamento de Estado
Nada mais havia a fazer. O orçamento fora aprovado. Mais impostos indiretos, mais tentativas de agradar as várias tendências políticas.
Se tivesse evitado a manutenção da TSU para salários mais baixos poderíamos dizer que se tratava de uma política honesta.
Agora restava executá-lo. Tarefa que não se apresentava de todo fácil, pois, a manter-se a austeridade global, é só esperar pelos retificativos.
Mas isto é crítica social ou análise política? Não. Apenas um exercício de escrita criativa.
Alda Gonçalves, 48 anos, Porto

Amizade Acabada
Ainda que o esforço fosse hercúleo, nada mais havia a fazer. Todas as tentativas para recuperar aquela amizade de mais de trinta anos, saíram goradas.  Amizade, é sentimento que não se compadece com deslealdades. E ela, se tivesse evitado a imprópria atitude de demonstrar enfado aquando do inesperado encontro, de quem não demonstrou alegria em rever os amigos, talvez tudo se recompusesse. Mas não. E a confiança ruiu.
Agora, restava somente a lembrança dos bons tempos passados.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 71 anos, Lisboa

Nada mais havia a fazer. Era demasiado ingénua e irrefletida. Deixou-se envolver por universos obscuros que antes seriam impensáveis. Caíra nas malhas de uma rede com difícil, mas não impossível, recuo. Hoje, arrependida, lamentava uma vida com muitos obstáculos e sofrimentos. Se tivesse evitado esses caminhos não estaria cativa de si própria. Traçara o seu próprio rumo e pagava bem caro a liberdade perdida. Agora, restava-lhe que ventos favoráveis devolvessem a esperança ao seu tão debilitado coração.
Emília Simões, 64 anos, Mem-Martins (Algueirão)

O coelhinho preguiçoso
O coelhinho vivia feliz. Comia cenouras, pulava pelos outeiros, dormia sestas inteiras.
Mas, preguiçoso, quando construiu a sua toca, projetou apenas uma entrada.
Ora, uma tarde, chegou o cão Nestor determinado a comer o coelhinho. Plantou-se à entrada da toca.
Que fazer? – pensou o coelhinho.  Nada mais havia a fazer… – concluiu de lágrima no olho.
Se tivesse evitado a preguiça e tivesse construído outra saída... Agora, restava-lhe esperar que o Nestor desistisse… Mas isso… poderia nunca acontecer.
Domingos Correia, 58 anos, Amarante

Nada mais havia a fazer, depois da sentença lida. Foi duro, ouvir e aceitar a decisão final.
Se tivesse evitado, duro seria! O inevitável teria acontecido. Marcas irreversíveis, sem retorno. É como água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
Agora, restava aprender com os erros. Refletir com maturidade, para que seja capaz de levar o Barco a bom Porto.
A barra era pesada, mas estava pronta para ultrapassar todas as barreiras!
Recomeçar de novo! 
Prazeres Sousa, 52 anos, Lisboa 

Infortúnio
Nada mais havia a fazer.
Ficaram saudades, emoções.
Foi mágico. A noiva, saiu da porta da igreja com o marido, num lindo cavalo branco.
Cavalgaram, cabelo ao vento, corações exultando felicidade.
Se tivesse evitado..., mas não podia.
O marido partiu. Foi a guerra!
Ficou prenha de amor e do filho.
Filho que não conheceu o pai. Pai que não conheceu o filho.
Agora restava o encontro dessa miragem que permanecera nela.  
Levar-lhe-ia notícias do filho, dos netos.
Rosélia Palminha, 67 anos, Pinhal Novo 

Nada mais havia a fazer, partiria sem destino com os seus desenhos. Deixaria para trás a população incrédula a construir enredos de um cartoonista, lunático que dizia ter encontrado, em carne e osso, a Branca de Neve e os sete anões.
Se tivesse evitado dar explicações pormenorizadas do seu encontro, a população não suspeitaria que eles tinham passado do papel para a realidade.
Agora só lhe restava, desaparecer no meio dos seus desenhos para que o esquecessem.
Adelaide Carvalho, 60 anos, Porto

Um pouco de esperança
Nada mais havia a fazer, porque magoei uma amiga. Talvez não sei, um dia me perdoe, espero que sim… Se tivesse evitado isto nunca aconteceria. Estaríamos felizes e especialmente amigas. Agora, restava apenas pedir-lhe desculpa por todos os erros que cometi, que foram muitos. Um pouco de esperança também ajudaria. Mas, é uma coisa que não tenho. Espero que um dia ela me perdoe. A única coisa que tenho a dizer é: “Desculpa.”
Mariana Rodrigues, 11 anos, escola Padre Francisco Soares do Agrupamento de Madeira Torres, Torres Vedras

Eu sabia-o. Toda a gente o sabia! Nada mais havia a fazer. Tinha de fugir! Se tivesse evitado esta asneira… Bem sabia que era errado, mas só o tinha feito por pura compaixão, amizade e todas essas coisas boas que a gente pode sentir por alguém. Agora, restava fugir com um nome falso para o Alasca e nunca mais voltar ou encará-lo, a ele e a toda a gente, mas isso estava fora de questão. Vou partir…
Ana Rita Franco, 11 anos, escola EB1 Padre Francisco Soares, Torres Vedras

Depressão
Ofuscada pela revolta, desespero, lançou-lhe um olhar furibundo.
Será que nada mais havia a fazer?
Praguejou em surdina, com relutância assumiu o desconforto…
Se tivesse evitado as insónias, ansiedade, incertezas, pesadelos e dúvidas teria tido consciência que estava com uma depressão profunda?
Agora, restava-lhe procurar ajuda…
Num impulso telefonou à médica de família e solicitou-lhe ajuda psiquiátrica.
Já não aguentava mais os pesadelos, solidão e tristeza envergonhada…
Chegou a hora de ter Bom Senso e Procurar Ajuda!
Cristina Lameiras, 50 Anos, Casal Cambra

Saudade
Nada mais havia a fazer, já não podia voltar atras. O meu mundo acabou! Quero vê-la, quero tocar-lhe, mas não consigo. Se tivesse evitado perder a memória, os tempos que podíamos ter passado juntas. Agora restava as pequenas coisas que ela me deixou. Quando ela estava aqui comigo não dava importância, agora que já não estás parece que as coisa pequenas que não tinham importância no mundo, voltaram a ter uma função na minha vida.
Leonor Santos, 11 anos, 6ºH da Escola Padre Francisco Soares, Agrupamento de Madeira Torres

Eu sei que tinha razão e nem sequer me sentia culpada,
mas a verdade, é que NADA MAIS HAVIA A FAZER
senão deixar o tempo correr, e talvez com esse mesmo tempo
tentar esquecer. SE TIVESSE EVITADO, quem sabe, poderia
ter acabado por chegar ao fim.
Agora RESTAVA APENAS as evitáveis explicações, lembrar os bons momentos
como os tristes lamentos escondidos no baú do passado
que no fundo, bem lá no fundo, é tão bom ser recordado.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Nada havia a fazer.
Ao recordar os dias felizes,
sinto uma nostalgia que me invade a alma, 
uma dor que trespassa o coração
e dói, dói.
Ai...
Se tivesse evitado este sofrimento agora seria feliz,
teria o mundo a meus pés
um sorriso nos lábios e um coração aberto ao amor.
Agora resta a saudade de um amor perdido
mas não esquecido.
A felicidade de um tempo passado
e o pensamento de que um dia fui FELIZ.
Maria Madalena Moreira de Carvalho, 65 anos, Peniche

Nada mais havia a fazer
O jeito agora era esquecer
Tentar novos rumos tomar
Sem lamúrias, sem chorar

Refletir, passo a passo, se errou
Tentar descobrir de que forma pecou
Quem sabe sair pro pensamento arejar
Pegar a estrada ir de encontro ao mar

Se tivesse evitado
Chance não ter dado
Quem sabe seria tudo diferente
Não teria ficado tão descontente

Agora, restava um vazio
Frio
Saudades do que não se fez
Tristeza do que se desfez
Majoli Oliveira, 54 anos, Caçapava, São Paulo, Brasil      

Nada mais havia a fazer, o bolo para o Dia da Mãe estava estragado! Tinha apenas 9 anos quando tudo aconteceu, aquilo foi um desastre. Na altura não tinha noção do que estava a fazer. Se tivesse evitado trocar o pacote do leite com o do vinho branco, tinha tudo corrido na perfeição.
Depois de pensar, agora restava-me enterrar o bolo no jardim da casa do vizinho para a minha mãe não descobrir e ficar desiludida comigo.
Inês Antunes, 11 anos, Torres Vedras

Nada mais havia a fazer. O destino encarregara-se de lhe mostrar a malvadez da vida. Sobre a calçada dos seus sonhos, via os pesadelos de vivências passadas. Ao menos se tivesse evitado apaixonar-se por ele... Ao menos se tivesse conseguido visualizar o alerta da despedida dele... Ao menos se o tivesse impedido de partir... Mas não... Nunca soube distinguir se amava ou se sentia sem amar. Agora, restava-lhe o desespero da saudade, o lacrimejar de tamanha dor. 
Ana Sofia Cruz, Valongo, 18 anos

Nada mais havia a fazer, o bolo para o Dia da Mãe estava estragado! Tinha apenas 9 anos quando tudo aconteceu, aquilo foi um desastre. Na altura não tinha noção do que estava a fazer. Se tivesse evitado trocar o pacote do leite com o do vinho branco, tinha tudo corrido na perfeição.
Depois de pensar, agora restava-me enterrar o bolo no jardim da casa do vizinho para a minha mãe não descobrir e ficar desiludida comigo.
Inês Antunes, 11 anos, Torres Vedras

De joelhos
Nada mais havia a fazer. O carro estava perdido, fora levado.
Se tivesse evitado estacionar fora de uma garagem, estaria ainda com ele. Se o seguro não estivesse vencido, poderia ainda comprar outro. Mas, sem essas precauções, perdera mesmo tudo.
Agora, restava a esperança da oração; iniciara uma corrente.  Na tarde seguinte, embarcou no ônibus e, duas quadras adiante, desceu de um salto. Ali estava seu automóvel furtado, mas com outra placa. Agradeceu de joelhos no asfalto!
Celina Silva Pereira, 65 anos, Brasília, Brasil

Se…
Nada mais havia a fazer, quando o amor lançou seus braços perturbantes nascendo da dor, a alegria. Nele tudo frutificou: das nossas vidas nasceram outras vidas, cadeia de afectos. Se tivéssemos evitado ouvir seus misteriosos apelos, nada seria igual. Agora restava saber a razão da nossa presença nesta cadeia de acasos, perdida na irrecuperável voragem do tempo. Todos intuímos haver uma razão e buscamos a chave, da mais escondida das portas, guardada em cada um de nós. 
Isabel Sousa, 64 anos, Lisboa.

Agora usa burca!
Nada mais havia a fazer, que vozearia!
― Impressionante, com burca! ― exclamou Pedro.
Olharam-no! Indiretamente, ele era o protagonista da história.  
― Oh, Pedro, viste? Uma exibicionista! Ignora o ridículo! ― soltavam maldosamente.
Nestas palavras, o motivo do inferno, a inveja!
Pedro continuou:
― Digam-lhe algo! Parecia a minha avó paterna, no funeral do marido!
Pedro chamara-lhe pirosa. Zombara! Se tivesse evitado!
Agora, restava remediar:
― É giríssima! Ela tinha fato?
― Pedro, francamente! ― acotovelando-se!
Consternação geral naquele mulherio, sempre ávidas do maldizer! 
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Emoção inexplicável
Nada mais havia a fazer, depois de ter cedido ao beijo. Perguntava-se, por um lado, como consentiu, por outro a emoção foi avassaladora. Houve uma fusão afectiva inesperada, improvável e deslumbrante. Não sabia ser possível.
Se tivesse evitado o terramoto emocional, tal tsunami sentimental, não aconteceria, mas também não ocorreria o posterior remorso. A culpa. Questionou-se até ao limite. Resultados: as razões como não razões. Foi necessário recuar, retornar ao encontro.
Agora, restava construir uma amizade possível.
Isabel Pinto, Setúbal

Nada mais havia a fazer, eras uma memória.
Se tivesse evitado as palavras, podias ser esquecido facilmente.
Agora, restava tentar matar a memória das palavras.
E assim tentei. Primeiro, coloquei outras palavras em cima destas palavras. Não resultou, as palavras emergiam. Depois, neguei-as com palavras que a fizessem fruto da minha imaginação, mas a memória não se enganou.  Por fim, tive que acabar com as palavras, confundido os seus sentidos.
Resultado: uma panela faz tranças ao sol.
Inês Aparício, 30 anos, Porto

Amar pelos dois
Nada mais havia a fazer, repetia incessantemente o Gustavo. Se fosse hoje, voltaria a repetir tudo da mesma maneira, nem penso se tivesse evitado a minha ida para apresentar o festival este poderia ter sido diferente e nem teríamos conquistado o primeiro lugar. Acredito que a canção reunia todas as condições para ganhar e nasceu para ser vencedora, mesmo que não tivesse sido eu a apresentá-la. Agora restava acreditar que o nosso coração pode amar pelos dois.
Maria Silvéria dos Mártires, 71 anos, Lisboa

Mesmo não o desejando mentalmente, o coração traiu-me, procurou-te, trouxe-te até mim!
Se tivesse evitado, nunca mais voltaria a sofrer, mas também não sentiria borboletas no estômago nem ouviria violinos quando entras por aquela porta.
Sou cautelosa, mas... sou um ser humano, não sou um autómato, capaz de desligar os sentimentos, funcionando apenas com o cérebro.
Apaixonei-me por ti! Agora, restava amar-te perdidamente até ao fim dos meus dias.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Nada mais havia a fazer, João Carlos preenchia todos os momentos de Dulce. À sua volta, espalhava-se o seu aroma, os ruídos assemelhavam-se à sua voz, todos os elementos da Natureza soletravam o seu nome.
Se tivesse evitado, aquele olhar jamais teria existido. Dulce arrependeu-se daquela fantasia. Ela sabe que a amargura foi constante, a inquietação acompanhou-a, vindo a tomar decisões desastrosas.
Agora, restava deixar-se adormecer, até que o sono acabasse e aparecesse uma nova alvorada.
Laura Garcez, 44 anos, Lisboa

Fixou de novo a imagem que o espelho lhe devolvia – impecável! Era assim que lhe queria surgir. Os conselhos ajuizados que lhe demos lançou-os ao vento, nada mais havia a fazer. A foto causara-lhe um deslumbramento tal que, se tivesse evitado o convite, dizia, não mais viveria em paz. Agora, restava-nos esperar que regressasse, noite dentro, talvez. Puro engano! Volvida uma escassa meia hora, entra de rompante, cabelo em pé, rosto esgatanhado, roupa amarfanhada… e sem carteira!

Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira