21 novembro 2017

Elsa Alves ― desafio RS 34

Sonhar designa sempre uma experiência de transformação. Mesmo sem consciência disso, os que sonhamos, ficamos expostos a algo de misterioso ou de maravilhoso, com consequências imprevistas sobre a nossa própria existência. O sonho devolve-nos a imensidão do absoluto; coloca-nos à escuta do inaudito; desprotege-nos das armaduras de todo o tipo que, habitualmente, nos revestem; avizinha-nos, temerariamente, do verbo nascer, esse que, cada vez mais, implica a tremenda ousadia do esvaziamento e a travessia simbólica para a morte.
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca Xira
Desafio RS nº 34 – frase de Mia Couto


Eurídice Rocha ― desafio 34

Culpa tem fim.
Acontece sentirmos esquinas que nunca cogitámos existirem. Vivemos pacientemente a sentirmo-nos atrapalhados num espaço insuportável. Não sabemos se vamos ralhar ou aconselhar, olhar por cima do ombro ou consolar com frases gastas na brisa, … queríamos o tempo passar depressa e que não ponderássemos tal acontecer connosco. Fugimos procurar esquecer. Há um frenesim que nos rouba o sono com recordações simples, a repetirem constantemente frases torturantes. Tantos sítios desgastados…
Respiro fundo… busco contar estrelas sonhadoras… em serenidade!
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra
Desafio nº 34 – grelha de 16 palavras obrigatórias


Maria do Céu Ferreira ― desafio 122

Verdadeira Melga
Um mosquito voador
Gostava de arreliar,
Era como um amor
Que se não quer afastar!

Cheirando aqui e além,
Procurava a Margarida
E sentia-se tão bem
Que não via outra saída!

Ora, cheia de picadas,
Ela afastou-o, enervada,
Ele caiu, batendo asas,
No seu leite com cevada!

― E este leite quentinho
Estava tão delicioso!...
Porque persistes bichinho
Tão enfadonho e teimoso?

Estrebuchando a valer,
Ele então falou assim:
― Se me deixares falecer
Nossa História chega ao fim…
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante
Desafio nº 122 ― um mosquito no leite


Eurídice Rocha ― desafio 33

Rir ou chorar?
Cristina toda vida falou substituindo érres pelos guês. Tó-zé pedia-lhe "diz carro" ao que respondia-lhe"és tão malandgo"... riam em entrelaçada cumplicidade. 
Cristina tinha tia Elvira, endurecida pela frustração das escolhas que, "pareciam bem" aos olhos doutros, furaram-lhe visceralmente o coração. 
Cristina interrompeu chá perguntando afogueada "mamã, viste o meu bichinho da seda tguintei tguês?" "Que nojo, menina... diga 33", observou Elvira. Sentia nojo de quem?, chocou-se Cristina! Mamã escondeu bichinho esmagado pelo pé seco da tia.
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33



Natalina Marques ― escritiva 26

Sentada no autocarro, ouvia a sua música preferida, suave e romântica, dos tempos que já eram idos, quando entra um grupo de jovens alegres, extrovertidos, como é normal, na idade da adolescência.
Mesmo com os fones postos nos ouvidos, conseguia ouvir o estrondoso barulho, que não podia classificar de música, pois ofendia os bons compositores.
Tirou os fones, e deixou que a melodia fizesse o milagre do silêncio. E conseguiu!!!
Foi assim o milagre da RÁDIO SIM.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela
Escritiva 26 – mistérios da natureza humana


Guilhermina ― desafio 37

Meu nome é Lurdes.
Tenho um filho cujo nome é Luís e outro Filipe
Um é médico e o outro é engenheiro. Bem cedo corremos como loucos em redor do nosso condomínio. É simples. Queremos correr sem sermos vistos.
Depois seguimos pelo leito do rio, no bote bem juntinhos.
O Filipe como médico é o primeiro que desce. O Luís tem o percurso um pouco comprido. O meu é bem melhor. Estudo os movimentos do rio dentro do bote.
Guilhermina, 73 anos, Alhandra
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A


Francisco Santos ― desafio 37

Eu, como tio de um menino muito lindo, prometo protegê-lo de seres vivos cruéis e perversos.
Como tio vou substituir os tecidos que se põem num bebé com depósitos nojentos que ele depositou.
No futuro eu quero que ele fosse um bom menino, que fosse bom com os outros seres vivos, que lhes tivesse respeito, com o deficiente e com o inteligente.
E deste modo o meu sobrinho pode ser um bom indivíduo e um bom homem.
Francisco Santos, 6ºA, 6ºA, Escola Dr. Costa Matos, prof Cristina Félix
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A


Quita Miguel ― desafio 128

Serões de ontem e de hoje
Durante anos guardou segredos. Pasmada, releu o que a gaveta escondera no quarto materno. Azedume que a deixara amarga, idiotice sabia-o bem. Nem o sol punha termo àquela tremenda asfixia, que lhe apertava a garganta, lhe ocultava qualquer pequena réstia de esperança. Era como ficar com os velhos mistérios arquivados, destruindo histórias mágicas do rio, com que antigamente eram finalizados os serões. Hoje, as reuniões eram à volta da televisão e as conversas haviam-se transformado em monólogos.
Quita Miguel, 58 anos, Cascais
Desafio nº 128 – 12 palavras com 4 no meio
Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» https://www.smashwords.com/books/view/595005

Guilhermina ― sem desafio

Linda de olho azul, estava escondida num canto.
Tinha sido maltratada ao pontapé, tendo as feridas bem visíveis na cabeça e corpo.
Foi descoberta por uma criança, que passeava com a avó ali à beira-mar.
O barco abandonado foi o refugio da Mimi.
Carlota estava a comer um queque e as maminhas do bolo caíram; ao ir apanhá-las lá estava a Mimi a comê-las.
Foi amor à primeira vista. A gatinha agora vive na casa da Carlota.
Guilhermina, 73 anos, Alhandra


Susana Sofia Miranda Santos ― escritiva 26

Eu sou uma apaixonada pela música, por isso, apresento como mistério da Humanidade, um estudo efectuado por dois investigadores da Universidade de Mc Gill, no Canadá, afirmando que realizar actividades laborais ouvindo música torna o ambiente mais agradável, aumentando consequentemente o rendimento produtivo.
A música reduz o nível de stress, eleva o grau de oxitocina, produtor de bem-estar físico, melhorando ainda o humor do ser humano, facilitando as suas interacções sociais.
O poder da música é fabuloso! 
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Escritiva 26 – mistérios da natureza humana


João Torres ― desafio 37

Estou muito orgulhoso com o sucesso do meu clube. O meu clube só pode ser o Porto. Tem desenvolvido um bom desempenho no solo. Penso que é sintético. Porém visto de longe é verde puro em vez do colorido do boxe. Porém nem só o futebol é o único desporto que me seduz, pois gosto muito de ciclismo. No futuro, o cicloturismo é um sonho que penso poder desenvolver.
De momento é tudo que me ocorre escrever.
João Torres, 6ºA, 6ºA, Escola Dr. Costa Matos, prof Cristina Félix
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A


Domingos Correia ― desafio 129

Olá
As palavras podem ser afetos ou maldades… Um simples olá, sorrindo, embala-nos a alma e nós deixamo-nos levitar rumo à felicidade… mas há palavras e esgares que nos entristecem, nos tiram as forças e lá vamos nós, infelizes, chorando…
Olá soa a Natalino, a Natalnatalício… a outras palavras, como as que, antigamente, diziam os poetas nas serenatas cantadas às donzelas…
― Olá Tatiana… olá Anita
Olá… palavrinha tão antiga, tão simples, tão fácil… no entanto, tão mágica!
Domingos Correia, 59 anos, Amarante
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA


Elisabeth Oliveira Janeiro ― desafio 129

Dos Sítios que Fascinam
Em direcção ao rio, firmadas em corredor atlante, as colunatas graníticas, iriam deixar-se enrolar pelas videiras que, nesta altura do ano, eram rubras de rubi. Ao longe, e ainda descarnadas, pareciam antas de triste porte, tangenciais ao solo obediente.
Havia a antropologia explicado eficazmente os povos por ali andados, fiéis e agradecidos ao pedaço natalino. Estudiosos tinham igualmente redigido antologia sobre o sítio digno de referência. E as nativas mais ilustres, tocavam sonatas de júbilo e gratidão.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 73 anos, Lisboa
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA


Margarida Freire ― desafio RS 23

Umbelina acabou de arrumar a cozinha, olhou para o relógio e bradou:
― Co’ a breca, a esta hora ela já meteu pés a caminho. E eu ainda aqui, presa aos tachos e às panelas… Sorte mafarrica a minha!
Fechou a janela – por via dos gatos – e abalou porta fora.
― Senhora Bina, oh, senhora Bina… Que lhe aconteceu, Criatura? Aonde vai vossemecê nesses preparos?
Umbelina estacou. Olhou para as pernas… e ficou verde.
Não é que ia em combinação?
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Desafio RS nº 23 – história de mulheres


20 novembro 2017

Ana Beatriz ― desafio 129

Eunice era violentada pelo marido. O filho pequeno e o respeito pelas tradições impediam-na de abandonar aquele antro. Após várias tentativas, acomodou-se num recanto, mas acalentava a esperança de ser feliz.  
Estava muito calejada, alguém a esmagara em lágrimas!
Um acidente despertou-a, voltou a acreditar.
Num dia de ventania, Eunice apaixonou-se perdidamente. Que tontice! Tanta alegria! Deixou de respirar ― sufocava, tremia ― fugiu.
Desencantadalamenta-se, mas perdoa-se. Mentaliza alguém que, curando as suas fragilidades, destape o seu fascínio.
Ana Beatriz, 39 anos, Lisboa
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA


Chica ― escritiva 26

A natureza humana é comprovadamente cheia de mistérios.
Atualmente convites para reuniões, encontros de amigos e ou família, de repente, ao olhar para o lado, vemos pessoas cada uma com seu celular, absortos com o olhar na pequena telinha, e dedos ágeis digitando. Ao lado, cônjuges, mães, pais são relegados à segundo, terceiro ou décimo plano.
Há de se promover a volta à presença EFETIVA! Nada substitui conversas, trocas de opiniões ao vivo!
Haverá esse retorno? Tomara!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Escritiva 26 – mistérios da natureza humana


Elsa Alves ― desafio RS 33

A história deles começou num poema. Foi-se fazendo de palavras, imaginando-se para elas um rosto e escrevendo-se a vida com as cores de cada dia. Caíram ambos em muitas metáforas, em correntes que os levaram duma margem do rio para a outra; era, afinal, uma separação. Sobreviveram algum tempo, agasalhados pela esperança duma ponte, mas alargaram-se as demoras e as desilusões. Finalmente, naufragaram em terra firme. Hoje são apenas um texto que não acabou de ser escrito.
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira
Desafio RS nº 33 – uma história de enganos


Margarida Freire ― desafio 121

Luísa pousou o livro. Endireitou-se, respirou fundo e leu tudo novamente.
NADA MAIS HAVIA A FAZER. O erro tinha de ser corrigido, antes que houvesse mais ‘acidentes’.
SE TIVESSE EVITADO… mas, o quê? O que é tinha acontecido?
Fora tão cuidadosa! Seguira rigorosamente as instruções, pesara tudo….
Afinal, o que correra mal?
AGORA RESTAVA tentar outra vez, porque…
De repente deu um salto. Fizera-se luz.
― Burra, burra… então não é que me esqueci de ligar o forno?
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos



Amália da Mata e Silva ― desafio RS 39

Meu Deus, como gosto de ti! É um sentimento muito forte que nem sequer sei onde se conclui. Voo no céu por ti, mergulho em profundos e misteriosos sítios, corro por estreitos ou imensos trilhos pedestres... Sonho no negrume do meu triste dormitório, sozinho, sem ti, nem ninguém. Onde e como vou obter, meu bem, o teu porte físico junto de mim?
Por fim, desperto coberto de suor do esforço que fiz em remexer tudo por ti. Amália da Mata e Silva, 62 anos, Vila Franca de Xira
Desafio RS nº 39 – história de amor sem A!


Susana Sofia Miranda Santos ― desafio RS 12

Joana tinha 6 anos. Era uma menina sonhadora. Possuía uma alma criativa.
Durante as noites, sonhava. De manhã, lia imenso. De tarde, escrevia poesia. Era uma romântica nata! 
Os livros faziam-na feliz. A escrita dava-lhe inspiração. Era uma criança talentosa!
Gostava de brincar sozinha.
Apreciava somente ler, escrever. 
Sonhava, lia, escrevia, divagava. Era uma mente intelectual.
Mas... abominava a escola. Aquelas disciplinas eram entediantes. Tudo era demasiado simples.
Estudava o que desejava.
Lutava contra imposições.
Liberdade... sempre!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio RS nº 12 – texto em prosa com frases de 4 palavras


Amália da Mata e Silva ― sem desafio

O Abílio vivia em Braga, mas nascera em Vouzela. Trabalhava na boutique do Azevedo.
Quando chegava a casa, beijava a sua Bárbara e logo ia correndo para os Bombeiros Voluntários... Mas, isto sou eu a contar porque se fosse ele diria: sou o Avílio, bibo em Vraga e nasci em Bouzela. Travalho na vutique do Azebedo. Quando chego a casa, beijo a minha Várvara e logo vou correndo para os Vonveiros Voluntários.
Língua difícil esta nossa, não?
Amália da Mata e Silva, 62 anos, Vila Franca de Xira

Susana Sofia Miranda Santos ― escritiva 8

Eu sou extremamente criativa, graças à leitura. Contudo, a minha capacidade para operacionalizar as ideias é exígua.
Assim, se fosse milionária, contrataria um cientista para fazê-lo imediatamente.
O primeiro passo seria conceber um chip para comandar o aparelho vocal das entidades aborrecidas para que, quando iniciassem sermões, conversas fúteis, se pudesse desligar, perdendo completamente o som.
O silêncio é tão agradável, pacífico e construtivo para a Humanidade... permite ler, escrever, a imaginação flui, que mais poderemos desejar?!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio Escritiva nº 8 ― invenção que muda o mundo


Escritiva nº 26

Viajo com frequência, é um facto. Gosto de observar comportamentos humanos, é outro facto, e devo dizer que há série de coisas que, como se diria na minha terra, me “fazem espécie”, ou seja me deixam intrigada.
Uma delas é esta mania, que já se tem estendido no tempo e no espaço, de fazer filas nas portas de embarque imenso tempo antes de começar o embarque. E não me venham com a conversa de que não há lugares marcados porque é uma treta, as pessoas adoram fazer filas, tenham ou não lugares marcados. Parte boa? Agradeço ter gente organizada à minha volta, mas fico um bocadinho ansiosa porque desconfio sempre que sou eu que vou ficar sem lugar no avião ou coisa que o valha.
Outro “mistério da humanidade” é a técnica da “mochila como companheira de viagem”. Passo a explicar: há gente que, mal se senta, põe logo a mochila no lugar do lado, sendo que NUNCA vi ninguém comprar um bilhete para a sua mochila querida.
Ora quando eu tenho a veleidade de perguntar “Está ocupado?”, a cara é sempre de “Não vê que vou ter que pôr a minha mochila no chão? Como é capaz de fazer isso?”
Bom, de certeza que vocês também se encontram com estes e outros “mistérios da natureza humana”.

Eu partilho aqui um que não deixa de me surpreender:
Os auriculares inventaram-se para cada um ouvir a música que quer, mas há quem não os use como deve e insista em subir o volume partilhando o seu mau gosto com toda a gente. Por que é que só quem tem maus gostos musicais é que é assim generoso? Apelo aos amantes da boa música que saiam à rua, ponham o volume no máximo e deixem o bom gosto transbordar dos vossos auriculares para os nossos ouvidos.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca

Escritiva nº 26 – mistérios da natureza humana

17 novembro 2017

Luís Capela ― sem desafio

Mandasse no mundo
Se mandasse no mundo acabava com residenciais. Mandava todos para casa.
Lá, haveria camas robot… movimentavam-se. Os braços e mãos cama robot levantavam-me da cadeira e deitavam-me na cama e vice-versa.
A banheira ficava debaixo da cama… robot despia-me a roupa… cama virava-se para baixo. Entrava e tomava banho! Robot erguia-me, máquina de vento secava-me e na cama vestia-me. Tocava estalos com os dedos, saía comida do tecto… abria a boca, petiscos caíam dentro de mim. Se…
Luís Capela, 33 anos, Mealhada


Martim Mendes ― desafio 129

S. Martinho, valente soldado, procurava uma donzela. Grande tentativa! Caminhou pela floresta, mas uma tempestade desabou, derrubando-o do cavalo. Ele, cheio de fome, de frio e abandonado pelo cavalo, encontrou castanhas. Martinho arrastou-se para uma gruta, encontrada milagrosamente, resolveu aquecer-se e alimentou-se com os frutos secos. De repente, apareceu um agrupamento de pessoas, que espreitaram pela entrada. Vinha a donzela Altina, segurando o cavalo fugitivo. Houve tanta algazarra que resolveram acampar no Castelo de Almourol, em Constância.
Martim Mendes, 13 anos, 8.º D- Escola Eugénio de Castro – Lisboa
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA


Sérgio Felício ― desafio 7

Ilha
Entrei numa ilha.
Tanta água à volta da terra.
Sete palmeiras, alguns animais - sete espécies!
Azuis cor do céu, branco das nuvens, castanhos de areia quente, verde… faz-me lembrar uma imagem… paz!
Na ilha estavam sete pessoas. Verdade seja, sete seres de outro planeta. Falavam sete línguas que ninguém percebia… apenas eles.
Aqueles sete indivíduos foram ali parar por ser uma ilha deserta. Ali eu fui parar perdido. Ficámos assustados com sete olhares e ali permanecemos distantes.
Sérgio Felício, 37 anos, Coimbra
Desafio nº 7 – história onde entre 7 vezes o número 7


16 novembro 2017

Rita Vale ― desafio RS 9

No meu décimo aniversário, já não via o meu pai há um mês.
Divertia-me imenso com as minhas amigas, abria prendas, cantávamos, dançávamos, festejávamos, etc...
Chegou o momento de me cantarem os parabéns. Entretanto, a minha mãe disse-me que tinha uma última surpresa. Mandou-me fechar os olhos, e, quando os abri, deparei-me com o meu pai a olhar para mim.
Agarrei-me logo a ele a chorar de alegria e prometi-lhe nunca mais o largar. Que grande surpresa!!
Rita Vale, 10 anos, Colégio Paulo VI - Gondomar, Profª. Raquel Almeida Silva
Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida


João Cruz ― desafio RS 9

Miguel, 28 anos, não tem filhos, não tem preocupações, mas não tem o que quer.
Como é um grande futebolista, não leva a vida que desejava: não sai à noite, não bebe bebidas gaseificadas, não come francesinha há oito anos, não tem namorada, não tem carro nem a casa que desejava, não se veste de marca, não tem tempo para visitar a família, em suma, não tem vida própria.
Quinze anos de carreira não valem tanto esforço! 
João Cruz, 13 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não


Maria do Céu Ferreira ― desafio 129

Promessa Honrada
Como era natural,
Atamancava à noitinha,
Depois de todos cearem,
Ia buscar a farinha.

Atalhando ao moinho,
Viu a porta destrancada,
Com a lanterna na mão,
Viu a farinha roubada…

Naturalmente anotado,
Estava um papel desgastado:

«Os meus filhos têm fome…
Para o ano, eu voltarei.
Não pago nem deixo nome,
Este pão devolverei.»

Passado um ano certinho,
Abrindo a porta trancada,
O meu pai foi ao moinho…
Essa farinha lá estava…
E nunca soube mais nada!...
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA


Matilde Faria ― desafio RS 44

Não sabia como começar, li e reli a proposta, mas nada me ocorria. Pensava numa maneira de ter um título apelativo ou, até mesmo, um texto corretamente redigido. Foi difícil encontrar as palavras, mas algo tinha que escrever. Pesquisei e nada descobri. E agora?
Um texto tem de ser sentido, não pode ser uma sequência de vocábulos “à sorte”. As palavras têm de fluir, nunca haverá um plano certo para escrever. Será que descobri o meu estilo?
Matilde Faria, 13 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Desafio RS nº 44 – reflexão em 44, contrário em 33

Beatriz Soares ― desafio RS 9

A melhor prenda de sempre!
Foi com dois anos que recebi a melhor prenda de sempre...
A verdade é que dava muito trabalho! Mas valeu bem a pena!
Dá para acreditar? Não foi o Pai Natal, nem a Fada dos Dentes, nem os meus tios, avós,... que ma trouxeram!... Foi umacegonha!...Uma cegonha bem simpática, que, no dia vinte e seis de novembro do ano dois mil e oito, me deu um pequerrucho rabugento e a alegria indescritível de ter um irmãozinho!
Beatriz Soares, 11 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida


Francisco Vilhena ― desafio RS 9

Presentes?! Mas que excelente mote para redigir este texto… Os melhores presentes que já recebi foram os meus irmãos: António e Lourenço. Somos verdadeiros amigos e companheiros nos jogos, traquinices e brincadeiras. Divertimo-nos imenso, partilhamos tudo em família e sabemos que podemos contar uns com os outros. É um orgulho ser o mais velho dos três! Juntos, somos mais fortes, mais alegres e mais felizes. Em cada dia, com o meu melhor presente, construo um bom presente.
Francisco Vilhena, 11 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida 

Afonso Ramos ― desafio RS 9

UM DIA FELIZ
Naquela tarde fria de primavera, eu estava a saborear uma torrada com chá, em minha casa.
Quando a minha mãe chegou, estava enjoada.
Alguns meses depois, chamou-nos para irmos jantar. Quando nós subimos, tinham-lhe rebentado as águas. Fomos diretos para o hospital. Fiquei radiante, pois sabia que ia nascer o meu irmãozinho. Essa, para mim, foi, sem dúvida alguma, a melhor prenda do mundo! Fiquei tão feliz que só sorria, saltava e corria de alegria pelo hospital!
Afonso Ramos, 11 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida 

Amália Mata e Silva ― desafio 129

Natália, podes, por favor, dar-me aqui uma mãozinha?
Naturalmente, minha querida amiga! Já sabes que o faço com todo o prazer!
― Preciso fazer um doce natalício, mas que não leve natas... parece que a Natacha e o Natário são alérgicos, vê tu.
― Vamos então encontrar um doce que leve só leite desnatado. Assim é natural que todos fiquem bem, para podermos ir assistir à Sonata do Laginha que um qualquer magnata benemérito oferece no dia de Natal.
Amália Mata e Silva, Vila Franca de Xira
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA


Catarina Pereira ― desafio RS 9

Há sensivelmente três meses, estava de férias em Lisboa. Um dia, as minhas amigas lisboetas levaram-me a dar um passeio.
Quando chegámos a Queluz, parámos junto aos estúdios da TVI, e contaram-me que me tinham inscrito num casting para uma próxima telenovela daquele canal. Todas sabiam que o meu sonho era ser atriz e, para mim, aquela era a melhor surpresa que eu poderia ter.
Como nunca desisti desse sonho, a vida premiou-me por ser uma lutadora.
Catarina Pereira, 11 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida


Ana Francisca Roboredo ― desafio RS 9

A minha amiga Beatriz deu-me um convite para a festa de aniversário em casa dela. Perguntei-lhe o que gostaria de receber. Ela confessou que já estava a pedir, há imenso tempo, uns óculos de realidade virtual aos pais, só que eles nunca lhos deram. Eu contei isso aos meus e foram comigo comprá-los.
Chegou o dia da festa. Quando lhe dei o presente, ela ficou extremamente feliz, pois, assim, concretizou um sonho. É incrível proporcionar momentos felizes!
Ana Francisca Roboredo, 11 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida 

Joana Mata e Silva ― desafio 128

Aconteceu num dia de sol. Ela passeava junto ao rio. Parecia zangada, com um azedume fixado no rosto, sem réstia de simpatia. Ainda assim, pasmado se sentiu quando tamanha idiotice lhe passou pelo pensamento. Ficar apaixonado assim? Com a garganta seca, suores, com uma asfixia esquecida desde que tinha finalizado o casamento e arquivado sentimentos no fundo da gaveta, fechando-a à chave e deitando a mesma fora. Seria o destino tão cruel que fosse passar pelo mesmo?
Joana Mata e Silva, 31 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 128 – 12 palavras com 4 no meio


Tomás Almeida ― desafio RS 9

No Natal de 2016, estava com a minha família a comemorar esta festividade e a ver televisão quando resolvemos que já estava na hora de abrirmos as prendas.
Então, a minha mãe deu-me uma caixa muito grande e, quando a abri, vi que integrava outra caixa e… outra ainda... Depois de abrir a quinta, lá estava a tão desejada Playstation4.
Foi uma tortura abrir aquelas caixas todas, mas valeu a pena! Era aquilo que eu mais desejava!
Tomás Almeida, 11 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida


Inês Moreira ― desafio RS 9

Tinha quase sete anos e andava a implorar aos meus pais por uma cozinha de brincar, que tinha visto numa loja para crianças.
Após imensa insistência do pedido, no meu aniversário lá ma deram. Fiquei radiante, pois mudou a minha vida.
O problema é que tive de montá-la, e adormeci enquanto o fazia, por isso mesmo, o meu pai continuou sozinho, para que eu, quando acordasse, tivesse o prazer de já a ver pronta. Inventei inúmeras receitas!
Inês Moreira, 11 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida


Elsa Alves ― desafio 28

Há uns anos, pelo Natal, decidi oferecer ao meu afilhado um aquário: contacto saudável com a vida marinha. Tanque, apetrechos, um cardume de peixinhos, tudo coberto por um lençol, destapado à meia-noite, perante os olhos esbugalhados do miúdo. Catástrofe... termostato avariado, temperatura alta, os peixinhos todos mortos...
A prenda passou a ser um envelope bem recheado... Felizmente, não houve consequências nefastas no desenvolvimento do rapaz. Hoje o seu prato preferido é uma bela posta de salmão grelhado...
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira
Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano


Luís Henrique Lima ― desafio RS 9

E trabalhei muito para o conseguir! Mas a minha mãe, que considera ter um cão uma grande responsabilidade, não mo queria oferecer.
Tive de me comprometer a dar-lhe de comer, a passeá-lo, a brincar com ele e a dar-lhe banho.
O meu cão chama-se «Speedy» e, como o nome indica, ele é muito rápido e hiperativo!
Eu adoro brincar com ele, considerando-o o meu melhor amigo! 
Luís Henrique Lima, 11 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida


Diogo Borges ― desafio RS 9

Há alguns anos, estava eu a brincar quando me chamaram para ir ao hospital. Perguntei o que íamos fazer e responderam-me que era surpresa. Quando lá chegámos, esperámos até que nos chamaram para uma salinha. Ali dentro, estava uma criança que eu não conhecia e perguntei quem era. Só me disseram "Aquela menina é a tua nova irmã!". Inicialmente, não reagi. Foi um momento que encaixava bem um "Como?!", mas não tinha vontade de falar. Fiquei felicíssimo!
Diogo Borges, 11 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida