30 abril 2017

EXEMPLOS - desafio nº 118

Mãe
Tive um dia um amor
Que não me desiludia,
Para mim era o maior
Que pude ter algum dia!

Tive um dia um amor
Que me queria ver rainha,
Para ele era a maior
A melhor que o mundo tinha!

Tive um dia um amor
Que me dava o seu abraço,
Com vontade ou com temor
Procurava o seu regaço!

Tive um dia um amor…
Maior que amiga também,
E assim o meu clamor:
Onde estás Mãe?!!!...
Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

Ainda que vazia
O tempo passando rápido demais.
Turbilhão de ideias a realizar.
Esforço não faltou em suas vidas.
Portanto, por certo, haveria o merecimento.
Lembra que sabia não se decepcionaria com aquele “olho que ria” para ela há tanto tempo atrás, mas um olhar não era garantia.
Apostaram na união, com muito amor e garra ultrapassaram tantas coisas juntos.
E ainda que o tempo teime em voar, pretendem, juntos e com saúde, conseguir ver os netos criados e encaminhados.
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
A associação de ideias foi essa: Medo: tempo passando sucesso: esforço desilusão: merecimento construção: garra empatia: olho que ri segurança: garantia amizade: união ansiedade: turbilhão de ideias

Era uma jovem, alegre e feliz, vivia uma adolescência descansada.
Não conhecia ainda a tristeza das desilusões da vida, e
gostava da obra que saía das suas mãos.
Um dia aconteceu, como acontece a todos, apaixonou-se.
Ficou assustada, era o seu primeiro amor.
Ninguém a compreenderia, por isso não disse nada,
guardou na sua intimidade, e esperou que o tempo 
lhe solucionasse o problema.
Mas o tempo foi cruel, deu-lhe a conhecer o amargo sabor da paixão.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela
Percurso: MEDO= SUSTO   SUCESSO=ALEGRIA   DESILUSÃO=TRISTEZA   CONSTRUÇÃO=OBRA   EMPATIA=GOSTAR   SEGURANÇA=DESCANSO   AMIZADE=ÍNTIMO   ANSIEDADE=TEMPO

Vivo na Síria! Numa aldeia destruída, em ruínas, onde o medo e a sobrevivência, me impelem para o desconhecido, para a ilusão (?) de uma terra de Paz, com “cama, mesa e roupa lavada” para mim e para os meus filhos. Têm entre 6 e 10 anos. Não é possível viver aqui! Sonho! Procuro esse lugar de AMOR, de reconhecimento do outro, onde a chegada, de tão esperada, é a materialização conseguida de um caminho sem fim.
Margarida Belchior, 58 anos, Lisboa
Caminho: MEDO – a ultrapassar/ para andar em frente   SUCESSO – reconhecimento   DESILUSÃO – ilusão   CONSTRUÇÃO – a materialização   EMPATIA – o lugar do outro   SEGURANÇA – cama mesa e roupa lavada   AMIZADE – o AMOR   ANSIEDADE – a chegada

Sem ti
Agora percebo que fui fútil e toda a alegria que me invadiu inicialmente foi abruptamente substituída pelo temor de te perder. Na ânsia de ter reconhecimento publico perdi o que mais prezava, a tua confiança.
Os dias sobrepõem-se e a insistente tristeza abate-se sobre mim ao perceber que a conexão que tínhamos simplesmente desapareceu.
Este estado nervoso constante é ridículo pois o dano está feito. As desculpas soam falsas perante tais actos e nada os pode apagar.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas
 (palavras novas: TEMOR RECONHECIMENTO TRISTEZA FEITO CONEXÃO CONFIANÇA ALEGRIA NERVOSO)

Injustamente o ansioso orador belga tinha medo que o auditório ficasse desiludido com sua locução sobre o Mirandês. Porém a síntese segura feita a partir da vistoria própria em Bruxelas e sua empatia para quem fala Mirandês, colava aplauso e afeição aos mirandeses. Acabando a palestra assim: Sou português Mirandês e duas línguas que me fizeram e já não sou eu sem as duas.
(dues lhénguas que me fazírun i yá nun sou you sin ambas a dues).
Theo De Bakkere, 64 anos, Antuérpia, Bélgica

Magda admite que após um intervalo em que esteve afastada das 77 palavras.
Se sentia estranha e descontente, pois escrever é para ela um apoio e um refúgio.
As palavras com que constrói as suas histórias fazem-na sentir menos ansiosa e perturbada e tiram-lhe o medo que muitas vezes a assalta. São um abrigo. E têm a vantagem que um certo bem-estar e felicidade emane do seu rosto transmitindo simpatia e amizade por todos à sua volta.
Maria Silvéria dos Mártires, 71 anos, Lisboa

Com o nervosismo que lhe era habitual não conseguia disfarçar o susto que lhe haviam pregado. No seu semblante era notória a tristeza que queria iludir com um discreto e trémulo sorriso. O seu melhor amigo valera-lhe nesse momento em que ficara completamente alheada. O amparo e carinho que lhe demostrara tinham tido o efeito de uma vitória e agora sentia-se mais animada e com a sua fortaleza estabilizada. Nada como um amigo nas horas de angústia…
Emília Lopes de Matos Vieira Simões, 65 anos, Mem-Martins (Algueirão)

Estou lixada com mais este desafio. O PAVOR de me perder nas palavras tira-me a CONFIANÇA na escrita. Sinto-me TRISTE pela DESCONSTRUÇÃO das minhas frases, pois nada tem nexo... Se não fosse a AMIZADE que sinto pela doida da minha professora que me dá FORÇA e me tira as ANGÚSTIAS, desistia já. Mas ela é tão serena, tão especial, que lhe devo GRATIDÂO ao escrever mais este rascunho sem tom nem som. Obrigada, Margarida, pelas suas maluqueiras!!!!!!
Isabel Lopo, 71 anos, Lisboa

Indeciso
Sentir-se indeciso até ficar angustiado, com insónia, sempre foi seu medo. Com sucesso, explodia de alegria. Mas abominava fracassos. Chamava-lhes retrocessosEntusiasmado, só quando construía algo.
Acabou na encruzilhada dos rios das decisões matrimoniais: rio “Caso e pronto!” e rio “Não caso já!…”
Empurrado pela firme namorada, mergulhou no primeiro. Confuso, acabou nadando… e acabou ao lado da companheira na esplanada do bar da vida…
Vivem ainda juntinhos numa casinha simpática ao lado do mar da Estabilidade.
Domingos Correia, 59 anos, Amarante

Estava em paz.
Tentei transmitir este estado de alma com quem me é próximo.
colaboração transformou isto num acto de partilha de sentimentos e acções tendo como finalidade a realização do somatório de pequenos objectivos que pudessem encaixar na ideia inicial.
A dúvida na obtenção do resultado final aumentava dia a dia, provocando grande perturbação...
A hora da apresentação deste texto avançava silenciosamente ...
Foi uma guerra!...
Finalmente, assumi a realidade!
Milagrosamente havia uma palavra disponível:
Fracasso!
António Garcia Matos, Lisboa

Sinto uma grande frustração.  Nunca mais aprendo. Tudo na minha vida foi uma grande tranquilidade, sentia-me como se fosse famosa.  Era uma grande amizade, alegria todos os dias, mas estragaste tudo. Porque? Tenho insónias todos os dias pelo que fizeste. Tornei-me antipática, porque deixei de confiar nas pessoas. De amiga passas-te para inimiga.  Sim, estou abatida!! Mas obrigado. Vão ficar belas recordações, mas deste-me uma grande lição de vida. Com amigos como tu não preciso de inimigos.
Rita Afonso Botelho, 35 anos, Moita

Amor, que palavra tão simples!
Quanto ao sentimento, esse, pode ser muito difícil de descrever. A força que nos dá para lutar, contra tudo e contra todos. O pavor e a angústia que nos devasta, quando não correspondido! A indecisão, própria de quem ama, provoca insónias, destruindo a solidez de romances sólidos. O entusiasmo em momentos de alegria.
empatia que sentimos quando lemos sobre estes e outros sentimentos, só não é sentida por quem nunca amou!
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

A inquietação rendilhava-lhe a alma. A proximidade da noite tecia uma tristeza que quase acreditava premonitória. O cheiro a maresia sublinhava a certeza do sonho acalentado. Fugir era libertar-se do medo, do viver sem futuro. Um arrepio percorreu-lhe o corpo. Que olhar vazio era aquele, despido de afeto? Os gestos marcavam a ausência de afinidade para com o drama de todas aquelas pessoas. O mar bonançoso fazia crescer a esperança de reconstruir o futuro. Inundou-se de alegria.
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada
MEDO (arrepio) SUCESSO (alegria) DESILUSÃO (tristeza) CONSTRUÇÃO (crescer) EMPATIA (afinidade)
SEGURANÇA (certeza) AMIZADE (afeto) ANSIEDADE (inquietação)

Sucesso ou fracasso?
O receio de falhar era um facto que acompanhava Félix desde criança. Cada projeto fracassado, marcava a sua vida com mais uma deceção, derrotando a sua estrutura mental.
Sentia-se um falhado, porém nada o fazia desistir.
Enquanto planeava a identificação de cada fase do trabalho, o anseio da sua execução aumentava, no entanto, cada resolução era sempre tomada com afeto e determinação, apesar do medo do resultado final.
Sucesso ou malogro? Só no final saberia a verdade.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais

O Sol dos amigos
Liana atravessava um momento de incerteza, aquele encontro com Alberto foi uma bênção. Em tempos idos, ele ignorou as imperfeições, demitiu-se do julgamento, calçou inúmeras vezes os seus sapatos, caminhou com ela.
Naquele dia, Alberto soprou as nuvens, o Sol apressou-se a chegar e Liana chorou ― lágrimas doces, tal como estrelas em noite de Natal. De tão genuínas, vivificaram a sua alma.
Liana esqueceu a negrura do tempo, vestiu-se de coragem, agradeceu e acendeu a sua Luz.
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Aquieta-se a noite! Os vivos também!
Há uma coruja a piar ― sabe o que diz, mas ninguém a entende.
Na vizinhança, uma torre milenar ― alva, intocável na terra, apreciada do céu. Abençoa o conforto, com temperatura misteriosa.  
Há luzes amarelas, outras laranja, algumas escondidas na bruma. Luz rosada, em abóbada infinita, doa transparência à noite, parecendo um pedaço de dia!
Nesta oposição ― brisa da noite, nuvens do dia ―, há a escuridão doce, morna, tal como um longo abraço. 
Fernanda Costa, 56 anos, Alcobaça

Uma saúde frágil sempre me impediu de alcançar êxito profissional.
No passado, alguém gerou decepção e angústia profundas na minha alma... fiquei com verdadeiro terror ao amor! Até te conhecer!
Percebi que encontrara alguém diferente de mim: tu gostas de números, eu adoro letras; tu preferes ler, eu prefiro escrever.
Mas, no que concerne a sentimentos, temos compatibilidade total, permitindo a edificação de uma relação baseada no companheirismo e protecção mútuas.
És o meu anjo da guarda!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

A aliança
Tinha superado a insegurança e conseguira a compreensão do casal real. Sentiram firmeza em minha intenção e permitiram que entabulasse uma ligação entre nossos corações. Vitória!
Princesa, nosso amor atingiu o crescimento, embora atravessando momentos de cuidado. Juntos percorremos caminhadas felizes pelas pradarias floridas do reino e entabulamos doces conversas nos recantos do palácio.
Tu me atingiste com a flecha do desengano quando devolveste a aliança. Não mais repetirei no gesto a mesma firmeza, garbo e paixão.
Celina Silva Pereira, 67 anos, Brasília, Brasil

Margarida Belchior ― desafio nº 118

Vivo na Síria! Numa aldeia destruída, em ruínas, onde o medo e a sobrevivência, me impelem para o desconhecido, para a ilusão (?) de uma terra de Paz, com “cama, mesa e roupa lavada” para mim e

Natalina Marques ― desafio nº 118

Era uma jovem, alegre e feliz, vivia uma adolescência descansada.
Não conhecia ainda a tristeza das desilusões da vida, e

Chica ― desafio nº 118

Ainda que vazia
O tempo passando rápido demais.
Turbilhão de ideias a realizar.

Elisabeth Oliveira Janeiro ― desafio escritiva nº 19

A Arca do André
Corria um ano da graça do século vinte, numa vila do Porto, berço do Infante, o Navegador... No quarto de solteira da irmã do nosso herói, havia uma mala misteriosa, que ia guardando o bragal,

Fernanda Costa ― desafio RS nº 11

Bondade
Toda a bondade é clara, luminosa, profícua - sabe a algodão doce!
Em momentos de escuridão, ansiamos por um gesto de sublime bondade.

Desafio nº 118

Vamos lá brincar a associar ideias…
Que outra palavra (ou imagem) associam a cada uma destas:

MEDO        
SUCESSO  
DESILUSÃO       
CONSTRUÇÃO     
EMPATIA             
SEGURANÇA        
AMIZADE             
ANSIEDADE

Usando o que surgiu, adaptando sempre que necessário, que texto vos surge? (podem usar estas também, mas é opcional)
             

Eu fiz assim. Acabei por vir buscar algumas das originais:
Surgiram-me estas palavras: falhar, susto, tristeza, coragem, ligação forte e intuitiva, tranquilidade, partilha, medo.

Há ligações fortes e intuitivas, amizades. Em sorrisos, a partilha simples acontece. Num dia de coragem, tua, ainda não minha, puseste os pontos nos Is que eu deixava por escrever. O medo impedia-me de te desiludir e a tranquilidade empurrava-me. Até que o sentir assustado, cansado de me segurar, desistiu, e te contei o medo de falhar e a tristeza. Ouviste-me. Ralhaste com a ternura de um verdadeiro amigo. Pude então reconstruir o que afinal posso ser.
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Desafio nº 118 – associação de palavras
EXEMPLOS

29 abril 2017

Sabrina Pereira ― desafio escritiva nº 5

Cruzar comboios
Eu pensei que fosse uma boa ideia ir visitar um sítio mais calmo, talvez nos campos, na Austrália.
Dois dias depois, perguntei a alguém de onde partia o comboio mais próximo. Mas quando cheguei

Manuela Branco ― desafio nº 76

Nasceu resplandecente este dia e a ideia de uma caminhada pareceu-me esplêndida.
Ir buscar a amiga e zarpar para arejar. Mas, a minha viatura adquiriu vida e qual égua bravia, dava

Jessica Guimarães ― desafio escritiva nº 2

Greve na cozinha
Vocês chamam-me uma colher, mas sou mais do que isso! Já pensaram o quanto eu tenho de suportar? As minhas tarefas incluem: mexer café (que de facto é muito quente), servir gelado (que me

Regina Gouveia ― desafio nº 89

Fim de tarde na savana. Uma manada de elefantes levanta uma nuvem de poeira ao pisar o chão.
Num outro tempo e em outro lugar, um lírio roxo por entre a desolação de um canteiro abandonado.

Maria do Céu Ferreira ― desafio RS nº 48

Espelho malvado
Espelho malvado,
Meu desgraçado,
Tens retratado
O quê de mim?

Ana Britto ― desafio escritiva nº 12

Escola
Nunca faço os meus deveres de casa, mas dessa vez decidi fazer e impressionar a professora. Era uma redação sem tema; então decidi fazer sobre um homem que largou a sua mulher e foi morar do outro

26 abril 2017

Rita Botelho ― desafio nº 113

Rita é uma mulher muito feliz.
Tem uma grande amiga chamada Marta.

Regina Gouveia ― desafio nº 114

Era uma linha ondulada, de menos infinito até mais infinito. Depois, começaram as restrições. Passou a reta. Continuava a viajar entre infinitos, mas o percurso ficou empobrecido.

Rita Afonso Botelho ― desafio nº 115

E o sol se põe, o jantar se faz, um repouso no sofá, uma criança a brincar. O sono ataca primeiramente a criança e a mãe aproveita esse sono. Durante esse sono, com sonhos e pesadelos,

Paula Tomé ― desafio escritiva nº 19

Entre o antes e o agora, ainda sou...
Sou amarela, grande. Tenho asa. "Chávena Almoçadeira"... nunca percebi... Almoços? Não… 

Lia Cunha ― desafio RS nº 34

Num lindo dia, enquanto passeava, vi uma menina graciosa a partilhar uma bolacha: vi o pacote de bolachas vazio, pois tirou a última e quis partilhá-la com um menino que a fitava. Depois disso, vi

25 abril 2017

Reutilizar livros

Lá em casa, já não havia espaço para mais livros. Estantes a abarrotar, nas mesas, nos quartos, no sofá. Por todo o lado, só livros. Livros de história, de histórias infantis, poesia, ensaios, romances. O avô sempre que os visitava, dizia: ― há livrarias com menos livros. A avó exclamava: ― credo! Nesta casa não se vê mais nada...
Até que um dia a mãe resolveu reutilizar os livros, fazer um armário para livros, com livros. Adoramos. Ficou giríssimo!
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto

Desafio Escritiva nº 19 ― vidas passadas de objetos

Ana Paula Oliveira― desafio escritiva nº 19

Nasci flor. Vermelho em todo o seu esplendor. Discreta e sem vaidade, de suave odor mas com muita cor. Cor do amor.

Regina Gouveia ― desafio escritiva nº 19

― Adereço bonito!
― Fi-lo, usando uma ágata e um botão da minha avó, herdado por uma filha que o guardou junto de outros. Poderiam dar jeito... Nunca o reutilizou.

Mónica Marcos Celestino ― desafio nº 35

A alma viajante
A minha vida é um barco abandonado
que, entre as matreiras ondas,
luta, bravio, soçobrando à deriva.

Maria do Céu Ferreira ― desafio escritiva nº 19

A sina da boneca
Nasceu boneca vistosa,
Elegante e enfeitada,
Perfumada como rosa,
Sendo muito estimada.

Domingos Correia ― desafio RS nº 48

Lua Cheia
Eu, gata vadia, acabei no gatil. Vida triste, sem alma.
Felizmente, fui adotada.

24 abril 2017

Carla Silva ― desafio escritiva nº 19

A caneta
A escuridão invadiu-a novamente.
― Amanhã, será amanhã.

Celina Silva Pereira ― desafio escritiva nº 19

A banqueta
Eu acompanhava um órgão e devia servir para que minha dona se assentasse e tocasse harmonias. As partituras ficavam guardadas dentro de mim.

Alda Goncalves ― desafio RS nº 48

Acordou. Mais uma noite mal dormida. Como tantas outras ultimamente. Horas que se arrastam, a pensar ou a fugir ao pensamento. A fugir de si mesmo.

Programas Rádio Sim - semana 24 Abril 2017

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).


Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 17h45, todos os dias


Lúcia Costa ― desafio escritiva nº 18 Programa Rádio Miúdos 24ab17

Estava na sala com a minha irmãzinha, a ensinar-lhe os sons dos animais (Ela já sabe o da vaca muuuu, o pato quá quá, o gato miauuuu, o cão ão ão, …), quando oiço a panela a borbulhar plop. Veio um cheirinho tão bom, hihami!

22 abril 2017

Isabel Lopo ― desafio escritiva nº 19

O velho copo de cristal recordava-se de fazer parte do melhor serviço da casa. Agora, por ser o único que sobrara, vivia numa vitrine, mesmo baço e lascado.

Mónica Marcos Celestino ― desafio nº 52

Silêncio 
Mudas ficarão nas vagas tabernas
as melodiosas cordas das guitarras
bocejando entre aromas de ginjinha.

Theo de Bakkere ― desafio escritiva nº 19

Um maço de poemas
Queria ressurgir como um maço de poemas, escrito na língua materna de Camões de qual sou amante. Além, nas terras lusófonas, encontrarei sempre um leitor ou um ouvido dócil que tal prosa saiba

Natalina Marques ― desafio escritiva nº 19

O teu dono nunca repôs a letra que perdeste.
Foste posta de parte, esquecida num canto, porque agora há um novo teclado.

Andrea Ramos ― sem desafio

Não vale a pena desesperar – o amanhã será bem melhor!
Encontrei a tristeza, ela queria aprisionar-me, puxava-me os cabelos e espancava-me com força.
O lago de lágrimas surgiu.

20 abril 2017

Sandra Évora ― desafio RS nº 48

Fui trezentas, fui mil
camponesa, nobre senhora, artesão.
Fui mel, fui vil,
Pássaro, peixe e leão.

Chica ― desafio escritiva nº 19

Os velhos cucos
Reentrou na casa dos pais. Fechada. 
Mãe na clínica, pai morto. 

Margarida Fonseca Santos ― desafio escritiva nº 19

Estou tramado com isto. É uma despromoção e tanto! Quando era importante, fechava uma embalagem de preciosos conteúdos informáticos (dizem, que a mim nunca me deram informação

Desafio Escritiva nº 19

Eu confesso que gosto de reutilizar tudo e mais alguma coisa, que fico feliz quando posso dar uma segunda vida ao que quer que seja e adoro, adoro, adoro, comprar coisas em segunda-mão. Ora, isto faz com que eu imagine muitas vezes como foi a vida anterior de um determinado objeto, como era o seu dono, se foi bem ou maltratado, esse tipo de coisas inúteis para o progresso do Mundo, mas que a mim me deixam bastante mais tranquila.

Ora é exatamente isso que proponho desta vez: imaginem como foi a vida de um determinado objeto, por que atribulações passou, que sacrifícios teve que fazer. Eu deixo-vos aqui um dos muitos exemplos que vos podia dar, já que me dedico a imaginar vidas passadas em objetos do quotidiano.

Tinha nascido para ser lata, coisa herdada de família a que não se atreveu a dizer que não chegado o momento de acolher, mesmo contrariada, aquelas sardinhas. Se ainda fossem umas lulas recheadas, um bacalhau com grão, mas sardinhas... O que não imaginava é que acabaria no meio do mato, numa ração de combate convertida finalmente em cinzeiro. De repente, sentiu saudades do mar e das sardinhas, respirou fundo e conseguiu ainda sentir aquele cheiro a escama.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 35 anos, Salamanca
Desafio Escritiva nº 19 - vidas passadas de objetos


19 abril 2017

Turma do 1º ano ― sem desafio

Triiiiiiiiiimmm!
Nem precisava de despertador…
A minha irmã, irritada com aquele som estridente, resmungava de forma eloquente:

Andrea Ramos ― desafio escritiva nº 14

Princípio 6.º - A criança precisa de amor e compreensão
Minha filha rodeava-te o jardim da vida, em tardes amenas gostavas de lá passear, cantando as melodias que te ensinei.

Andrea Ramos ― desafio escritiva nº 14

O princípio nº 7 - Direito à educação (…)
Não te deixaram brincar. Queriam fazer-te homem à força.
(Ninguém tinha esse direito!) Direitos tinhas tu e não o sabias. Limitavas-te a obedecer.

18 abril 2017

Lia Cunha ― desafio nº 59

Hoje é o meu “dia não”: não acordo a horas. Vou tomar o pequeno-almoço, não há pão. Abro o frigorífico, não há leite. Desenrasco-me, como e vou lavar os dentes, e não há pasta.

Mariana Garcez ― desafio nº 109

Na aldeia, atapetaram de flores aquele caminho que ia dar à igreja, só para tu passares.
Levitei por entre um nevoeiro de Outubro que descia às ruas e se derretia nos becos. Ar não havia

Andrea Ramos ― desafio RS nº 48

Envelhecer…
Ela viu-se ao espelho. Espanto o seu… não compreendia aquele olhar, nem o rosto manchado. Virou-se. De lado, os ombros pareciam carregar uma tonelada. Porquê aquela figura de um dia para o outro?

Rosário Ribeiro ― desafio nº 61

Estou tentada a tirar-te daqui. Dentro tenho espaço. Tenho vivido tanta coisa tão estranha tramada por ti, que tenho de te largar. Todos podemos ter momentos terríveis. Todos nós temos dias! Mas tu finges

Emília Simões ― desafio RS nº 48

Era noite alta e Francisca, sozinha, toda enroscada no canto da lareira como se fosse um gato. Para ali estava, sem ninguém para conversar e, por vezes, o medo assaltava-a. A sua vida era assim. Nunca

Rosário Ribeiro ― desafio RS nº 7

«Isto está um caos!», resmunga Henriqueta. No horto, o vento fizera estragos. Ao ver o Domingos dormindo encostado à parede, grita «Até me dás asco, com tanta preguiça! Pega nesse saco e guarda

Formação no CPR de Brozas

CPR de Brozas, formação com Luís Leal (e Joana Marmelo), aproveitando o «erro» de uma criança italiana ao criar a palavra petalosa, leia aqui.

Lia Cunha ― desafio nº 37

Num belo e frio inverno, um menino bonito de nome Miguel encontrou no bosque frondoso um esquilo cinzento, e tentou mexer-se sem que o esquilo tivesse medo. Sugeriu-lhe que o seguisse. O

Isabel Pinto ― desafio escritiva nº 5

Magreza Extrema
A anorexia assombrou-lhe a vida numa idade inesperada; quando o risco da manifestação é pequeno. O sofrimento vivenciado mentalmente, a superação dos seus limites, em prole da luta pela