12 junho 2017

Amélia Meireles ― desafio escritiva nº 19

Com vinho branco ou tinto, conseguia sentir o prazer que os lábios exalavam quando mergulhados no líquido que unia as risadas à volta da mesa. Naquele dia, algo correu mal e, sem dar conta, sentiu-se rasgado. A sua dor acompanhou o desalento das mãos que o envolviam. Terminara o seu destino como copo. Agora, no parapeito da janela da cozinha, acolhia a avenca. Sentia saudades do que fora, porém, percebia que, enquanto vaso, continuava a ser útil.
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

Desafio Escritiva nº 19 ― vidas passadas de objetos

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